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Alexandrina Maria da Costa

SENTIMENTOS DA ALMA

OUTUBO 1953

2 de Outubro de 1953 – Primeira Sexta-feira

Parece que se escureceu por completo o meu espírito. Não posso pensar, raciocinar, nem amar. Vida inútil, vida inútil, meu Deus, é a minha. Parece que posso dizer: não vivo, não tenho nenhuma vida. Temo e tremo com tal inutilidade nesta eternidade. Se eu tivesse um suspiro para Jesus, um olhar, um sorriso, ou qualquer coisa de bom, podia dizer com verdade: sou feliz, sou feliz. Ai de mim, ai de mim, que não tenho nada. Que pavor, que pavor! O mar destruidor está na minha alma. Sinto e oiço a destruição de tudo. Nada tenho para o Céu e para Deus. Tudo tenho para Satanás, para condenar-me. A minha eternidade, meu Deus, a minha eternidade não anda, não posso deixar de sofrer, odiar e blasfemar contra o meu Senhor. Que pavor, que pavor. Há tantos espinhos que me ferem. O meu sangue parece regar toda a terra. Não tenho quem me ampare e guie no caminho. O meu abandono é completo; é de Deus e é dos homens. Que indizível sofrimento. Perdi o Horto e o Calvário. Perdi a Jesus e os Seus méritos. O meu coração odiento calca o solo do Horto e diz-lhe: não te quero, não te quero, desprezo-te, aborreço-te por completo. Trevas pavorosas vendaram os meus olhos. Com eles vendados, na mesma eternidade desesperadora, subi a encosta do Calvário, repetindo: não te quero, odeio-te. Ao mesmo tempo que um coração dentro do meu gotejava sangue, sofria infinitamente e infinitamente amava. No cimo da montanha, este coração foi para o alto da cruz. Eu no meu ódio eterno continuei a odiá-lo. E Ele, louco de amor, na mesma dor grande como a terra, grande como o Céu, continuou a gotejar sangue e a sofrer tanto que parecia desfazer-se todo por mim. Ele queria possuir-me, não podia deixar-me. Quanto me amou Jesus; quanto eu ofendi Jesus. Assim expirei revoltada contra Ele e sentindo o Seu amor. Momentos silenciosos, momentos de separação e morte se passaram. Jesus veio novamente, entrou em mim, entrou o Céu e os seus anjos, e falou-me assim:

― “O céu! O céu! Está aqui Jesus com os seus anjos. Vim, minha filha, desci do Céu ao teu coração. Trouxe comigo os meus anjos. Venho com eles felicitar-te no meu dia, o teu dia. Fez hoje quinze anos, data feliz, data sagrada. Preveni-te para a tua primeira crucifixão. O meu dia, o teu dia, o dia da tua entrega, da tua generosidade louca, o dia da minha reparação, o dia de começar a salvar aos milhões, aos milhões”.

― Ó Jesus, ó Jesus, sofro tanto com esta data. É um sinal, um grande sinal da minha imperfeição, não é, meu Jesus? O que eu sofri no dia de hoje, há tantos anos, sem saber o que Vós me íeis pedir e como me ireis pedir!... O que eu sofri no dia de amanhã sem saber o que ia sofrer!... Para mim era tudo como se nada existisse e eu nada compreendesse. Só fui sabendo e compreendendo à medida que os sofrimentos se desenrolaram. Bendito sejais!... O que me esperava, Jesus!... E o que me esperará ainda?!... Venha o que vier. Com a Vossa graça eu direi sempre o “sim”, o “sim” da minha aceitação.

― “Minha filha, tem coragem! Tens repara do a justiça do meu Pai. Tem-la aplacado e afastado. Tens tirado os espinhos que ferem o meu Divino Coração e o de minha bendita e dolorosa Mãe. Tem coragem! Tem coragem! O teu fim está perto, o fim das tuas lágrimas, das tuas dores, do teu calvário, calvário ditoso, calvário privilegiado, calvário dos maiores prodígios, das maiores graças e maravilhas do Senhor. Continua na tua missão sublime, nobilíssima missão. Eu quisera que a tua vida fosse mais compreendida! Eu quisera que se tivesse feito luz. Na terra os homens nada podem contra o Céu, contra Deus. A luz brilha, a luz brilha, a luz brilha, mas uma vez no Céu, oh então, sim, então sim!... a missão continua e os raios da luz hão-de espalhar-se. Raios luminosos, raios luminosos hão-de cair sobre a terra como flocos de neve. As almas são tuas, o mundo é teu. São tuas as minhas riquezas, são teus os tesouros, os tesouros do meu Divino Coração”.

― Jesus, Jesus, como os anjos batem as suas asas brancas!... Parecem um bando de pombinhas a voar, a voar!... Eu queria Jesus, não tenho querer, mas gostava que eles se inclinassem para Vós e não para mim. Quanto isto me humilha!... Oh, como eu me sinto desaparecer!...

― “Vieram comigo à minha ordem saudar-te, esposa querida, mas Eu faço que eles subam ao Céu. Ficarei Eu sozinho mais uns momentos”.

― Se eu fosse com eles, Jesus!... O meu coração queria voar também par a minha pátria!... Tenho tantas saudades, Jesus!...

― “Coragem! Coragem! Irás breve, muito breve. Eles virão ao teu encontro para te levar para junto de mim. Vem receber a gota do meu divino sangue. Houve o choque dos nossos corações. Estão os dois num só e a gotinha do sangue já passou. Foi gota abundante e já corre em todas as tuas veias. É o alimento que te faz viver, é o alimento que os incrédulos não acreditam. Como me alimentei Eu depois da minha ressurreição? Não posso fazer viver as minhas vítimas da forma que Eu quero com a vida divina? Coragem, coragem! Fica na tua cruz. Fala às almas, fala às almas neste pouco tempo que te resta. Convida-as a virem todas a Mim. Convida a humanidade inteira à oração, penitência, emenda de vida”.

― Ó meu Jesus, ó meu Jesus, antes de partires, antes de subires ao Céu, lede todas as intenções que estão escritas e gravadas no meu pobre coração. Perdoai, perdoai ao mundo, perdoai, meu Jesus! Obrigada, Jesus, obrigada, meu Amor por mais esta fortaleza de amor que puseste no meu coração. Obrigada, obrigada, meu Jesus.

3 de Outubro de 1953 – Primeiro sábado

A minha preparação hoje para a vinda de Jesus foi a santa missa. Não sabia assistir. Estava toda mergulhada nas mais densas trevas e ignorância. Pedia à Mãezinha, porque só ela podia satisfazer por mim ao Senhor. Na minha ignorância e eternidade disse-lhe muitas coisas, e Ela lá foi dispondo a minha alma e preparou o sacrário do meu coração. Jesus entrou sem olhar para a minha miséria. Uniu bem ao dele este coração ferido e empedernido; modelou-o, iluminou-o e falou-se assim:

― “Faço minhas as palavras dos meus discípulos. Salve, Mestre, salve, esposa minha, salve, vítima querida. É grande este dia, grande na terra, grande no céu. Foi grande. É grande, será grande por toda a eternidade. Foi e será grande pelas almas que me deste e darás. Será grande, sempre grande, grande pela glória e amor eterno. Escolhi-te, foste criada para as almas, para mãe de todos os pecadores. A mãe dá vida pelos seus filhinhos. Tu, à sua semelhança, a vais dando. A tua vida vai-se extinguindo.

Minha filha, minha filha, minha querida filha, com o terminar do ano, termina este meu colóquio. No primeiro sábado de Dezembro, no mês da puríssima Imaculada Conceição da minha bendita Mãe, tu ficas só na aparência, nos sentimentos, mas não na realidade. Jesus e a Mãe do Céu ficam contigo com mais força, com mais intimidade. Confia, confia! Não nos separamos de ti.

Diz ao teu Paizinho que por amor o feri, que por amor deixei que os homens o ferissem no ponto mais delicado, naquele ponto que mais reparação exijo. O meu coração está no seu coração. O dele está no meu. Dá-lhe todas as riquezas, dá-lhe todo o amor, o meu e o da minha Mãe bendita, para que ele com heroicidade possa dar, dar, até se consumir por Nós.

Diz ao tu médico que Jesus está com ele, que Jesus se alegra nele. Diz-lhe que a força do Céu é a força dos heróis. Diz-lhe que ele será sempre privilegiado e premiado com o seu jardim florido. Diz-lhe que avante, avante!... Coragem, coragem!... e firmeza sempre. Ele será guiado e iluminado pelo Divino Espírito Santo.

Vem, minha bendita Mãe, vem Coração Doloroso e Imaculado de Maria, vem à nossa filhinha, vem derramar do teu coração para o dela toda a ternura, todo o amor, tudo, quanto o teu Coração. Dá-lhe o conforto que ela necessita. Dá-lhe tudo, tudo para ela e para quantos a rodeiam, para o grande apóstolo do Teu Coração. Dá-lhe para ele a paz e o amor, as nossas ternuras, para que seja ternura, a nossa doçura, para que seja doçura, a nossa vida, para que dê sempre as nossas vidas”.

― Ó Mãezinha, ó Mãezinha, sinto-me feliz no Vosso regaço e inclinada ao Vosso Divino Coração. Não quero que ele tenha espinhos, não quero que ele tenha sangue. Passai, passai tudo para o meu. Passai todos os ferimentos que tiver o Coração Divino de Jesus.

― “Assim o fiz, filha querida. Vês, Eu não tenho espinhos, nem gotas de sangue. Já não tenho setas. O meu Divino Filho já não tem espinhos, já não tem lança. Tudo fica no teu coração. Sofre, sofre. Repara, repara. Nada temas da terra, nada temas dos homens. Deixa que te calquem e te humilhem. Sofre tudo, tudo para reparação dos nossos amantíssimos Corações”.

― Ó Mãezinha, muito obrigada pelos Vossos beijos, pelas Vossas carícias e abraço tão íntimo.

― “Vai em paz, minha filha, vai em paz. Leva o amor do teu esposo e da tua querida Mãezinha. Leva-o, distribui-o. Leva e sacia as almas de nós sequiosas. Leva-o, distribui-o a todas as almas. Fala-lhes, fala-lhes, fala-lhes. Coragem, heroína forte! Coragem, vítima continuamente imolada! Calvário, calvário ditoso, calvário o mais semelhante ao de Jesus do Gólgota. Vai em paz! Vai em paz!”

― Obrigada, Jesus. Obrigada, Mãezinha! Lembro tudo, tudo aos Vossos Divinos e amantíssimos Corações. Obrigada, obrigada.

9 de Outubro de 1953 – Sexta-feira

Parece que não sou eu, deixei de existir, que não só eu vivo no silêncio da morte, mas também o mundo, o pobre mundo. Sinto como se ele desaparecesse, sinto como se a sua existência fosse um cemitério infindo, deixando apenas as ruínas da desordem e do pecado. Meu Deus, meu Deus, quanto eu sofro, o que é para mim este vale de lágrimas. Bendigo por tudo o Vosso santo nome; seja em tudo feita a Vossa divina vontade; a ela me submeto de alma e coração. Num completo abandono beijo e abraço a Vossa amantíssima mão benfazeja. É grande, muito grande o meu martírio de corpo e alma; só Jesus o conhece. Eu não sou capaz, nem ao menos de muito longe, de o fazer compreender. Por vezes nem posso respirar com o peso de tanto sofrer. Tudo são humilhações, tudo são espinhos a ferirem-me, e punhais a atravessarem-me o coração. Não posso pensar que Jesus e a Mãezinha vão deixar-me no primeiro sábado. E quem sabe quando Jesus o fará também nas sextas-feiras. Até agora parecia que se queria libertar de todos os colóquios, tal era o pavor que me causava o receio de me enganar. E agora, prevenida pelo Céu, não sei como levar até ao último momento a minha cruz. Bendito em tudo e sempre seja o meu Jesus. E tudo isto a viver a minha inutilidade na minha eternidade, na eternidade que não caminha um só momento, na eternidade que outra coisa não faz a não ser revoltar-se e odiar a Deus. É assim que eu vivo na minha morte; foi assim que ontem passei pelo Horto num indizível sofrimento; foi assim que hoje fiz a viagem para o Calvário. Todo o meu ser era dor e massa em sangue. Tanto ontem no solo do Horto, como hoje na viagem dolorosa, o meu coração arrancado fora do meu peito nadava num mar infinito de amor, todo ele era amor, em ânsias também infinitas de possuir todos os corações, de lhes dar a vida e o Céu pela morte na cruz. Ó Jesus, ó Jesus, que livro este de tanta ciência, que é a Vossa ciência, que não terá fim. No alto do Calvário Jesus continuou na cruz crucificado a dar do Seu Coração Divino amor com tanta abundância que formava um mar infinito. Eu fugi-lhe sempre e com o meu afastamento fui causadora sempre da Sua dor infinita, da Sua agonia e morte. Quando Ele expirou, a minha alma pareceu sair também do meu corpo. O silêncio da morte reinou. Após este silêncio, Jesus ressuscitado e triunfante deu entrada no meu coração, comunicou-me a Sua vida e ressurreição e falou-me assim:

― “Calvário ditoso, calvário prodigioso, calvário transformado num paraíso de Jesus na terra. Desci, desci, minha filha, desci, desci, esposa querida, desci do Céu. Entrei no teu coração, transformei-o num céu. Eu quero, eu quero fortalecer-te. Eu quero falar pelos teus lábios. Eu quero dizer-te as minhas alegrias e tristezas. Alegro-me no teu coração. Alegro-me com a reparação que me dás. Eu posso, sim, eu posso apresentar a meu eterno Pai grande reparação. Eu posso, sim, eu posso colocar sob a sua divina mão uma escora firme para a sustentar. Ó Portugal ingrato, ó mundo cruel, o que seria de ti sem a vítima deste calvário!... Portugal ingrato! Portugal, quantas graças tens recebido do teu Deus?! Fátima, Fátima! Calvário, calvário! Este ditoso calvário, meios para ti de grande reparação. Estou triste, estou triste. Portugal ingrato! Estou triste, muito triste! O mundo cruel! Nada mais posso fazer. Fiz tudo, fiz tudo para a salvação dos filhos do meu sangue”.

― Ó Jesus, ó Jesus, estou certa, confio. Tudo fizestes, tudo fareis e o mundo será salvo. Portugal será grato, sempre grato ao Vosso Divino Coração. Sou Vossa vítima, Jesus. É a Vós que eu abraço, é a Vós que eu me prendo. Só conVosco eu serei forte, só com a Vossa graça vencerei. Ai, meu Jesus, sou eu, bem sabeis que sou eu, a mais pobrezinha, a mais indigna das Vossa filhas, mas bem sabeis que, apesar de pobre e miserável, com a Vossa graça também serei eu a sofrer pelo Vosso amor e pelas almas. Com a Vossa graça sempre repetirei: Jesus, sou a Vossa vítima! Jesus, sou a Vossa vítima! Jesus, sou a Vossa vítima!

― “Minha filha, minha esposa, encanto do Céu, só do Céu, amor do Céu, vida do Céu, tem coragem, tem coragem! Eu escondo-me nas tuas misérias, nas tuas faltas. Tenho de encobrir a minha grandeza e é nela que eu me encubro. Os homens, os homens, o mundo, o mundo, não querem ver toda a grandeza que podem ver e que eu pus ao seu dispor. Se os homens vissem e compreendessem!... Que grande glória, que grande glória, que grande glória para Deus e proveito para as almas!... Ai daquelas que diante da minha luz colocam véus negros para impedirem que ela brilhe. Sou misericórdia e sou justiça. Sou justiça. Um dia que não vem longe a espera para os castigar”.

― Ó Jesus, dizeis que sois justiça, mas eu agora só em Vós vejo amor! Dizeis que sois justiça, eu agora só sinto que sois misericórdia. Peço-Vos perdão, meu Jesus, para todos quantos Vos ofendem. Peço-Vos perdão, meu Jesus, para todos quantos me ofendem a mim. Perdão, perdão, meu Senhor, perdão e a salvação.

― “És louca, louca. Enlouqueceste por Mim, enlouqueceste pelas almas. É esta loucura que atrai a este calvário, que atrai a este Portugal, que atrai à humanidade inteira as graças, o amor e as misericórdias do Senhor. Vem receber a gota do meu Divino Sangue. Foi forte o choque dos nossos corações. Foi forte, foi grande, grande a gota do meu Sangue Divino. Grande é a dor, grande é o amor que tens ao teu Jesus. Para a tua dor, o meu amor. Para te fortalecer, o meu Sangue Divino. O meu amor é o bálsamo que te cura. O meu Sangue é a vida de que tu vives. Coragem! Coragem! Fala às almas. Fala-lhes. Tem coragem, tem coragem!”

Ó meu Jesus, sede comigo! Só por Vosso amor lhes falo. Que repugnância me causam, mas estou pronta para fazer a Vossa divina vontade. Falai por mim, vencei em mim, triunfai em mim. Obrigada, obrigada, meu Jesus. Entrego ao Vosso Divino Coração todas as intenções. Bem as conheceis. Obrigada, obrigada, meu Jesus!

16 de Outubro de 1953 – Sexta-feira

Não me movo, não dou um passo na minha eternidade. Ela foi, é e será sempre a mesma, está sempre no seu princípio. Quanta dor, quantos mistérios nesta eternidade. Se eu soubesse falar dela! Eu sei, eu sinto que nela está o poder e a grandeza de Deus. Toda a eternidade é Deus, ela toda está baseada em Deus, como Ele ela não teve princípio e não terá fim. Como tudo isto é grande, meu Deus, como tudo isto é grande! Se a minha ignorância me deixasse falar, se a minha cegueira me deixasse ver, se a minha inutilidade não me roubasse tudo, eu poderia falar e guiar, ser útil no serviço do Senhor. Nada sou, nada posso, nada valho. Vejo em mim o pecado com toda a maldade; sou um mundo de vícios, sou um inferno de ódio e revolta contra o meu Senhor. Ó meu Deus, ó meu Deus, não me falteis. Ai de mim, sem a Vossa força, neste estado de alma em que me encontro! Sofro a dor da Vossa perda, mas não desisto da minha revolta e ódio contra Vós. Valei-me, Jesus, valei-me, Mãezinha. Só a Vossa força e o amor dos Vossos Corações suportam a minha cruz. Sinto que estou do Céu e da terra abandonada. Os espinhos variados não têm conta a ferirem-me. O peso das humilhações esmaga-me, faz-me desaparecer. Tenho que esconder tantas coisas, tanta dor, sofrendo-as em silêncio, só com os olhos em Vós e a Vós abandonada. Não pode ser maior sábio aquele que sabe compreender a dor. Não pode usar de maior caridade aquele que se compadece dela. Senhor, Senhor, meu Pai, sem nenhum sentimento de confiança nem de esperança, confio e espero em Vós. Sou a Vossa vítima. Vendi o meu Horto e o meu Calvário. Foram estes os meus sentimentos de ontem, quando prostrada no solo do Horto. Vendi os méritos e o sangue de Cristo; vendi a minha salvação e fugi para a perdição. Suei sangue e reguei a terra. Mais tarde, rasguei os meus vestidos e com este gesto a alguém que estava dentro de mim rasguei o coração. Hoje, na viagem para o Calvário, procedi na mesma, fugindo de Cristo e vendendo tudo quanto era de Cristo. A Sua dor era infinita. E eu de longe, muito longe, arrastei-O pela terra e retalhei-Lhe o coração. Cheguei ao fim da montanha, ou melhor, chegou lá a minha maldade, para O crucificar na cruz. Continuei com a minha traição e crueldade. Não fiz outra coisa senão golpeá- Lo e ofendê-Lo. Até que Ele expirou; deu a vida por mim. E, nesse momento, o amor do Seu Divino Coração mergulhou, abundou em Si toda a humanidade. Fiquei como morta também, como se o meu espírito se separasse de mim. Não foi por muito tempo. Jesus apressou-se a dar-me a vida e falou-me assim:

― “Vim trazer a paz ao mundo, dou-vos a paz, filhos meus. Dou-vos o meu amor, todo o amor do meu Divino Coração. Desci do Céu, entrei neste coração puro e de delícias. É puro porque possui a graça, e de delícias porque me delicio nele. Estai atentos, bem atentos. Desci do Céu, dei entrada neste coração, não para este coração, mas para os vossos corações. É por este canal que a vós me comunico. É por esta vítima que Eu a vós me dou. Desci, desci para as almas e não para ti, esposa querida. O teu colóquio é de dor. A vida que Eu por ti dou é a vida de perdão e de amor. Vou terminar, vou terminar muito em breve este prodígio maravilhoso, esta riqueza divina. As almas, as almas! Felizes daquelas que se aproveitam das graças concedidas neste calvário. As almas, as almas! Felizes das almas que por esta luz se guiaram e se deixaram iluminar. Se os meus colóquios fossem para ti, só a ti falava, como fiz nos primeiros anos de vida íntima, de união contigo. Avante, avante, heroína, avante, louquinha das almas, louca do sacrário, louquinha da cruz. Coragem, coragem, o Senhor  está contigo, mesmo que O não sintas, mesmo que quase te persuadas que Ele te fugiu. A tua última vida na terra é para mim e mais aureolares a tua cruz no Céu. Será cruz resplandecente, cruz triunfadora, cruz de salvação. Coragem, coragem, minha filha, o fim da tua vida na terra é para mais, muito mais almas salvares. O teu tormento indizível, o teu tormento incompreensível é o bálsamo e a salvação de milhões, de milhões de almas; bálsamo para as suas chagas, salvação para as suas almas”.

― Ó Jesus, ó Jesus, não sei como hei-de viver!... Não permitais que e Vós perca a confiança. Não me deixeis desfalecer. Consolai-Vos, consolai-Vos, Jesus, com a salvação de tão grande número das almas que me dissestes. Sou a Vossa vítima, não me falteis, Senhor. Sou a Vossa vítima. Eu confio em Vós.

― “Confia, confia, heroína forte! Confia, farol do mundo! Confia, escora do meu Pai! Hás-de perseverar até ao fim. Já te prometi a perseverança. Hoje mesmo renovo a promessa. Hás-de perseverar, hás-de perseverar, hás-de perseverar até ao fim. No meio das tuas faltas, onde Eu me escondi, foste sempre fiel às minhas graças, correspondeste ao meu amor. Criei-te para as almas a tua nobilíssima missão na Céu vai continuar. O fogo do meu amor por ti será dado ao mundo, mesmo lá do paraíso. Vem receber a gota do meu Divino Sangue. Houve o choque, o grande choque dos nossos corações. Como de costume se uniram, o de Jesus ao da sua esposa e vítima. A gota do sangue passou. Passou o puro alimento divino que te faz viver. Haja luz, haja luz. Faça-se luz. Ouvi e atendei ao mandado de …”

 

(Numa voz forte cantou estas frases num tom muito bonito)

 

Ao tempo que eu bato
Ao coração do filho que feriu
e rasgou meu Coração.

Vem a Mim, meu filho,
Vem a Mim, filho meu,
Vem a Mim, meu filho,
Vem a Mim, filho meu.

Vem ao Coração, vem ao Coração do Senhor,
Do Senhor que é teu, que é teu!...

 

― Ó Jesus, que saudades me dais. Quereis deixar-me, quereis deixar-me, meu Amor, quereis deixar-me desta forma? Bendito, bendito sejais!

― “Coragem, minha filha, é mais uma luz e será dada até ao terminar doas meus colóquios. Coragem e fica na cruz. É mais uma prova do meu amor. Coragem! É mais um convite para os homens; é mais uma luz, para que se faça luz. Fala ao mundo, fala às almas, fala às almas. Fala ao mundo para quem foste criada. Fala às almas, que és o porta-voz de Jesus. Fala ao mundo e convida-o à penitência, à oração e emenda de vida. Fala ao mundo e diz que Jesus quer a reparação”.

― Ó meu Jesus, perdão, meu Amor, perdão para o mundo, perdão para o mundo. Perdão, perdão, e não Vos esqueçais dos meus pedidos e de todas as minhas intenções. Perdão, perdão.

Obrigada, Jesus, obrigada, meu Amor.

23 de Outubro de 1953 – Sexta-feira

O meu brado não sobe, mas sim mergulha-se nos abismos. O Céu não me escuta, Jesus e a Mãezinha parece não quererem socorrer-me, mas a justiça de Deus, essa esmaga-me, essa vem punir-me sem eu ter onde esconder-me, sem eu lhe poder fugir. Meu Deus, meu Deus, ouvi o meu brado angustioso, ouvi os gemidos da minha agonia mortal. Que pavor, Senhor, que pavor o da minha alma. Eu queria fugir e não posso, por toda a parte me cercam negras muralhas, que chegam da terra ao céu. Só me rodeiam leões e feras, que tentam devorar-me. Eu nas trevas mais negras, na eternidade mais assustadora, eternidade que não permite que nem um só momento se passe, tenho de entregar-me, estou vencida, o Céu não vem dar-me socorro e da terra não existe. Ai, meu Deus, como eu sou vício, como eu sou pecado. Ai, Jesus, como todo o meu ser se desfaz na lepra mais nojenta. Que vergonha, não posso ver-me, sou um mundo de podridão e nada mais neste mundo existe. Foram os vícios que q este estado me reduziram. Não terei cura, não há remédio para mim. Que dor, Senhor, que dor infinita, mas esta dor é Vossa, não posso suportá-la, sois Vós que a sofreis. E eu na minha inutilidade não tenho reparação, não posso apagar e fazer desaparecer os crimes da minha vida. Senhor, Jesus, ainda assim quero amar-Vos. E hei-de amar-Vos mesmo com os sentimentos dos tormentos desesperadores do inferno e sem sentimentos de que Vos amo, de que confio e espero em Vós, de que em Vós creio. Tudo cai sobre mim. Não sei se ainda mais alguma coisa me espera. O meu sofrimento é indizível, mas eu serei sempre a vítima de Jesus. Tive junto de mim o santo sacerdote que durante alguns anos foi luz e guia da mina alma. Era motivo de me alegrar, mas esta alegria foi só aparente. Quanto este encontro me fez sofrer! Que tristes recordações! Só o meu Paizinho, o primeiro que o Senhor pôs no meu caminho, não vem. Os homens prenderam-no com cadeias mais duras; só a força divina pode quebrá-las. Este santo sacerdote celebrou a santa missa. Parecia mais um anjo do que um ministro do Senhor. Nada disto me consolava, mas tudo servia para mim e mais me fazer desaparecer no abismo da minha miséria, do meu nada. O meu peito serviu-me, ontem, de solo do Horto. Dentro dele senti o palpitar aflitíssimo do Coração Divino de Jesus que Lhe fazia levantar as costelas e rasgar todas as veias. Que forte suor de sangue. Para mim tudo isto foi difícil, para mim de nada valeu o Horto e de nada me serviu o Calvário. Não foi só doloroso, foi dolorosíssimo. Mas ah! Eu não sei dizer o que foi esta viagem. A minha ignorância é tal que não descobre um pequenino fiozinho do véu. O Calvário não foi para mim porque o desprezei, não quis aproveitar-me dos seus méritos. Senhor, que desespero, que eternidade desesperadora. Quis vingar-me sempre de Vós, sempre contra Vós blasfemei, mesmo com ver-Vos na cruz crucificado. Vós na cruz a dardes a vida por mim e eu a sentir a minha língua maldita a blasfemadora como a dos condenados do inferno. Vós no cimo do Calvário e eu afastada de Vós o mais que se pode imaginar. Ó dor, ó dor infinita! Neste afastamento continuei enquanto Jesus sofria na cruz a Sua agonia. Ele expirou na maior dor, no maior tormento. Fui eu quem causou a morte. A minha alma sentiu, já como mais vezes a separação do corpo. Não foi por muito tempo. Com a ressurreição de Jesus houve a minha ressurreição. A Sua voz divina falou-me assim no meu coração:

― “Calvário, calvário, sim, minha filha, basta o nome de calvário. O calvário foi para mim de morte e de vida e continua a ser para ti à semelhança do teu Deus e Senhor. Morri e dei a vida ao mundo. Tu morres e dás a vida às almas. O meu Calvário é o teu calvário, mas calvário de vida, de toda a vida. Fala, minha filha, fala no teu calvário, brada, brada sempre. O teu brado é o brado de Jesus. Quero almas, quero almas, quero almas! Vejo-as a fugir. A minha dor é infinita. Fala às almas. Fala às almas, fala ao mundo. Previne-o dos castigos, da justiça do Senhor. O que o mundo tem de sofrer! Oh! Como o mundo vai ser rigorosamente punido pela justiça divina! Tanto convidei, tanto avisei, tanto chamei!... O meu convite, o meu chamamento, o meu aviso, não foram ouvidos. Ah, se ele fizer penitência, se ele se convertesse deveras para Mim!..”.

― Ó Jesus, ó meu doce Amor, não Vos esqueçais que sois Pai. Ó Jesus, ó meu doce Amor, chamai mais, convidai, convidai sempre com o Vosso convite amoroso. Eu não sei o que pressinto, Jesus. eu não sei o que cai sobre mim. Venha o que vier, seja o que for. Eu sou e serei sempre a Vossa vítima, mas peço-Vos, meu Jesus, com toda a minha alma, com todo o meu coração. Perdoai, perdoai, perdoai. Ai, fazei que o mundo se converta. Se não poupais os corpos à justiça do Vosso Divino Pai, poupai ao menos as almas às penas eternas do inferno. O que virá, meu Jesus. Eu estou apavorada.

― “Coragem, avante, esposa minha. É a tua missão a desempenhar, a tua missão de vítima, a tua cruz a suportar. Avante, avante, esposa querida! Conta, conta com o peso da tua cruz dia a dia mais difícil de levar, dificílima de levar. Minha filha, minha filha, as almas são tuas. Só à custa de dor e sangue, só à custa da própria vida as podes salvar. Haja luz, faça-se luz. Atendei. Atendei. É um pedido de Jesus. a glória é minha, o bom é para as almas. Ó minha filha, ó esposa querida, ó flor eucarística, tem coragem, tem coragem. Ainda não é hoje que vou deixar-te de falar ou fingir que vou deixar-te”.

― Ó Jesus, sinto como se fosse hoje a despedida. Que pena eu tenho, que pena eu tenho!... Foi pelo tempo que parecia que Vos aborrecia.

― “O mundo, o mundo, minha filha, precisa deste martírio doloroso, penosíssimo, penosíssimo, penosíssimo, minha filha, mas de grande mérito, o maior mérito. Eu virei sempre, sempre dar-te a gota do meu Divino Sangue, mas previno-te, venho dar-te conforto, sem que sintas o mínimo conforto. O teu colóquio comigo vai ser um colóquio de fé. Crê, crê sem alegria. Crê, crê sem consolação. Crê, crê, que estou contigo”.

― Seja feita, Senhor, seja feita, Jesus seja feita, meu Amor, em tudo a Vosso Divina vontade. Sede a minha força, sede.

― “Vem receber a gota do meu Divino Sangue. Houve a união dos nossos corações. Os dois, os dois num só coração. A gota do sangue passou.

 

(Depois disto cantou)

 

Vem, meu filho,
Toma a tua cruz.

Vem, meu filho,
Segue os meus passos.

Toma a tua cruz
Vem pedir perdão
Vem pedir perdão
Ao teu Jesus, ao teu Jesus, ao teu Jesus.

Quantas vezes te ofendi, Senhor
Quantas vezes te ofendi, Senhor
Aqui estou aos teus pés
Aqui estou aos teus pés
Contrito, contrito e humilhado, Jesus.

Perdão, perdão, perdão, Senhor.
Perdão, perdão, meu Pai, meu Pai.
E meu Criador.

 

Vai em paz, minha filha. Fica, fica na tua cruz. Convida, convida as almas. Não te canses, minha filha. O teu fim está perto. Coragem, coragem!”

― Obrigada, obrigada, meu Jesus. Não Vos esqueçais de tudo quanto Vos tenho pedido. Perdoai, perdoai ao mundo inteiro!

30 de Outubro de 1953 – Sexta-feira

À medida que o tempo passa, mais tremenda e dolorosa é a minha vida, que parece não ser vida, não ser nada. A minha tremenda inutilidade e eternidade apavora-me, a mais não poder ser. A inutilidade ligada à eternidade é o meu tormento, é o meu pavor de dia e de noite. A eternidade sempre em princípio sem ter princípio, sempre odiosa e blasfemadora, sempre revoltosa contra Deus, inquieta-me, faz-me sofrer tanto e de tal forma que parece não haver língua humana que possa exprimir tal martírio. E, depois de tanto sofrer, nada ter com que possa remediar tanto mal. Meu Deus, meu Deus, que assim permitis esta inutilidade e eternidade, compadecei-Vos de mim, não me deixeis sozinha, permiti que Vos invoque com fé, esperança e confiança, mesmo sem nada disto sentir e sem o sentimento do Vosso amor. Estou num mar infinito de dor e por todos os lados me cercam regatos a trazerem para este mar mais e mais dor, mais e mais martírio. Espinhos sobre espinhos, punhaladas sobre punhaladas, humilhações e calúnias, medo e completo abandono de todos. Ó Jesus, ó Mãezinha, valei-me, valei-me. Parece que não tenho lábios para Vos chamar, nem coração para Vos amar. Tende dó, tende dó desta pobrezinha que tanto brada pelo Vosso socorro. A minha ignorância nada me deixa dizer. Os meus males não me permitem falar, mas o meu coração e a minha alma parecem falar-me tão fortemente a ecoarem em toda a humanidade, a desfazerem os mais duros rochedos e as mais altas montanhas. É impossível dizer as minhas ânsias de me dar a Jesus e às almas; são tão grandes, são infinitas. É impossível dizer a minha dor, ao ver em mim um mundo dos maiores vícios e maiores crimes. É dor infinita, é dor infinita sentir e ver que tudo corre para o mar infinito da perdição. De cada vez me sinto mais incapaz de falar do Horto e do Calvário. Dia a dia, ele é para mim menos compreensível. Fujo dele, não vivo dele, parece que até nego a sua existência. Ai, meu Deus, cada noite à meia-noite, eu estava com as minhas próprias mãos a apunhalar Jesus na sua prisão; não Lhe tirava o punhal do Seu Divino Coração. E hoje com a mesma crueldade, ou não, mas as minhas mãos continuaram o mesmo serviço na viagem do Calvário. Todo o meu ser inútil fugiu para muito longe na eternidade desesperadora. Mas as mãos não se retiraram de Jesus para não poder ser tirado o punhal do Seu amantíssimo Coração. Nesta maldade cruel o empurrei até ao cimo da montanha e com a mesma crueldade o crucifiquei na cruz. E sempre com os mesmos rancores infernais fui causa da Sua agonia até que o fiz expirar. Meu Deus, meu Deus, em que sofrimento eu fiz morrer o meu Jesus. Fui cruel em toda a minha vida, sou e serei na minha eternidade revoltosa e blasfemadora. Que horror! Jesus ressuscitado veio dar-me a vida que parecia eu ter perdido; encheu-se o coração do Seu vigor divino e falou-me assim:

― “Desceu Jesus do Céu. Vai falar neste Calvário pelos lábios da sua vítima, da sua crucificada. Desceu Jesus do Céu e vai falar pelo seu porta-voz. Ouvi, meus filhos: sereis meus filhos, se me amardes e seguirdes a minha lei. Sereis benditos do meu Pai, abrasai-vos no meu amor. Dar-vos-ei todas as graças. Sereis meus filhos, se professardes a minha lei. Sereis meus filhos, se por meu amor levardes a vossa cruz. Sereis meus filhos, se por meu amor fordes apóstolos do bem. Minha filha, minha filha, sacrário da minha habitação, trono das minhas delícias, sou o Senhor. Posso levar-te às alturas. Posso dizer tudo o que me aprouver. Sou Senhor, sou Senhor; tenho as minhas predilecções. Digam os homens, julguem os homens o que quiserem. Ai do mundo, ai de Portugal sem a vítima heróica deste calvário. Os pecadores, os pecadores, as almas, as almas salvas aos milhares, aos milhões hão-de aclamar-te, hão-de bendizer-te por toda a eternidade. Há tantas, tantas almas que querem amar, que querem os sofrimentos, mas quando lhes pesa a cruz atiram-na ao chão, fogem, fogem para o mundo e deixam o seu Jesus”.

― Ó Jesus, ó Jesus, é tão grande o peso da humilhação. Parece, Jesus, sinto como se me arrancassem o coração. Vós tendes o direito de dizer tudo, meu Amor, mas dissésseis o muito que eu Vos tenho ofendido, eu não me humilhava tanto. Coragem, coragem, violeta pequenina. Levanta para mim os teus olhares. Fita em mim os teus olhos. As tuas faltas bem as conheço. É nelas que me escondo. O mundo não pode ver a minha grandeza tal qual é. Se muito me tens desgostado, muito mais, muito mais, muito mais me tens amado. Avante, avante! Coragem! Coragem! Fala às almas. Fala às almas. Deixa-as abeirarem-se de ti. Foste criada para elas. A tua missão é a missão das almas, é a missão dos pecadores”.

Que medo, Jesus, que medo eu tenho. Quero fazer a Vossa divina vontade, mas tenho tanto, tanto medo de lhes falar. Sou talvez cobarde, meu Jesus. Tenho medo do sofrimento, não é, meu Jesus?

― “Não é, não, florinha eucarística. O teu medo faz parte da tua cruz. O teu medo dá-me reparação. O teu medo dá luz a tantas almas, tantas almas ceguinhas, que não querem ver. Avante, avante, esposa querida, mimo do Céu, luz e farol do mundo. Avante, avante. Fala às almas. Diz ao mundo que venha a Mim, ao meu Divino Coração. O mundo, o cruel mundo continua desvairado, corre para o abismo da perdição. Convida-o ao arrependimento. Fala-lhe da justiça do meu Pai, que bem depressa, bem depressa virá sobre a terra. Vem, vem receber a gota do meu Divino Sangue. Maravilha. Maravilha prodigiosa! O Médico Divino uniu o Seu Coração ao da sua esposa. Deu-lhe o alimento celeste, deu-lhe o seu sangue divino. Vou fingir deixar-te, minha filha, mas a gotinha do sangue venho dar-ta sempre, sempre, até à morte”.

 

(Depois cantou assim)

 

Nadar no teu amor
Nadar no teu amor
É força da cruz
É força da cruz.

Quero amar-te sempre
Quero amar-te sempre
Sempre sofrer
Sempre sofrer
Sempre sofrer por ti, Jesus, por ti, Jesus.

Jesus é meu, eu sou de Jesus.
Jesus é meu, eu sou de Jesus.
Só por seu amor eu abraço a cruz
Só por seu amor eu abraço a cruz
.

 

― “Fica, minha filha, na tua cruz. Quero-te a ela bem unida. Quero-te nela bem crucificada. Coragem, coragem! A tua cruz é a cruz de salvação, é a cruz de triunfo”.

― Ó meu Jesus, muito obrigada por tanto amor que me deste. Sinto que fico cheia, mas já sem consolação. Consolai-Vos, Vós, Jesus. Consolai-Vos, Vós, meu Amor, em todo o sofrimento meu. Sou a Vossa vítima. Não Vos esqueçais de todas as minhas intenções e da humanidade inteira. Quero sofrer por toda ela, porque toda ela Vos pertence. Obrigada, obrigada, meu Jesus.

   

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