3 de Julho de 1953 – Primeira
Sexta-feira
Eu sinto-me de
braços abertos a bradar, a pedir socorro à terra e ao Céu, sem de nenhuma parte
o receber. Sinto necessidade, muita necessidade duma escora para me sustentar. A
tempestade não cessa. Por toda a parte vem a derrota e eu de rastos envolta na
lama não posso levantar-me. Se as pedras falassem, quanto elas não teriam que
dizer. A minha ignorância não me deixa, as minhas forças não me permitem, a
minha inutilidade tudo rouba para si. E eu, no meu calvário, no meu pavoroso
calvário, sem ter nada, nada para mim, nem um miminho para Jesus. O meu corpo
está cravejado de cima a baixo. Tudo são setas, lanças, punhais e espinhos, e a
alma não deixa, não deixa de agonizar com ele. Peço coragem ao Céu para o meu
novo calvário, para os meus exames. Não a tenho. A hora não chegou ainda. Espero
só naqueles a quem me abandonei por completo, que foi a Jesus e à Mãezinha. Se
toda a aceitação da minha cruz é só por Eles e pelas almas, como poderei ser por
eles abandonada? Ai de mim, se me falta a confiança! A minha alma louva ao
Senhor, entoa-Lhe hinos de agradecimentos, mesmo quando desfalecida, presa,
mergulhada no lodo e na lama. Muito em silêncio, na mais tremenda agonia, ela
dá-se ao Senhor e repete: Oh! Seja feita a Vossa Vontade! Quando choro no
desfalecimento, são lágrimas resignadas e mando-as de encontro aos sacrários. A
inutilidade rouba tudo, mas nem por isso deixo de as enviar para lá como actos
de amor.
O meu horto de
ontem, o meu calvário de hoje, são os mesmos sofrimentos, a mesma preparação
para a minha prisão, para o meu exílio. Ontem, senti o pavor de todas as coisas,
de toda a agonia do horto. Estava nela sem vida, para tudo indiferente. Hoje
segui para o calvário. Digo que segui, mas não fui eu. Da minha parte, só seguiu
a minha dor. Havia uma vida separada da minha vida que estava fora de mim e fora
do mundo e que era a vida do calvário e que não podia agora imolar-se.
Continuava a ser vida, mas sem dar a sua vida. Queria saber esclarecer-me
melhor, mas não sei. Era vida e não estava em mim. Esta vida comunicava-se ao
calvário, mas não podia manchar-se de novo na terra culpada. A minha dor viveu
tudo isto, mas eu não, porque sinto não ter vida. Parece que o meu corpo
desapareceu do mundo, deixando a suprir o seu lugar a dor, só a dor. No maior
abandono e sob o peso das maiores humilhações, fiquei como se de facto morresse.
Jesus, a verdadeira vida, entrou no meu coração. A Sua entrada ressuscitou-me e
ouvi-O falar assim:
— “Cá estou, cá
estou, minha filha, no teu coração. Cá estou, cá estou, cá estou, esposa minha,
no meu palácio permanente. Venho mendigar amor na tua cruz, no teu calvário.
Como eu estou bem! Como eu estou bem! Sou mendigo, sou mendigo da dor, sou
mendigo de amor. A minha morada, a minha morada, ditosa morada aqui na terra.
Mendigo dor nesta cruz, neste calvário. Mendigo amor neste coração das minhas
delícias. Minha filha, minha filha, mãe, mãe dos pecadores, à semelhança da
minha bendita Mãe. Minha filha, minha filha, farol e guia, farol de luz, farol
atraente. As almas, as almas necessitam de ti. O mundo, o mundo conta contigo.
Foste criada para o mundo, sem seres do mundo. Foste criada para as almas. Esta
é a grande verdade de Jesus. Foi a missão que Ele te escolheu. És caluniada, és
perseguida. Deixa, minha filha, deixa que a ti te assemelhe a Mim. És cópia
fiel. A tua vida é o maior portento das maravilhas do Senhor. Coragem, coragem!
Nada temas, minha filha! O Céu, todo o Céu será contigo, será convosco. Coragem!
Coragem! O sol, o sol vai brilhar, brilhar, brilhar sem nenhum estorvo.”
— Ó Jesus, não me
procuro a mim, não me vejo a mim. Procuro a Vossa glória. Vejo-Vos a Vós, vejo
as almas. Nos momentos dos meus desfalecimentos, quando sinto que não sou capaz
de resistir a nada, resta-me só a confiança, a confiança, sem o sentimento de
que confio, Jesus. Creio, creio, meu Amor. Só por Vós e para Vós tenho vivido.
Só em Vós tenho confiado. Nunca, nunca confiei em mim. Pela Vossa graça, nunca,
nunca, nada a mim atribuí. O meu nada, a minha miséria imensa, a minha
inutilidade é a que me está sempre, sempre presente.
— “Minha filha,
pupila dos meus olhos, florinha eucarística, adorno do meu Divino Coração,
avante, avante, por Deus e pelas almas. Pede amor, pede amor para o meu Divino
Coração. Não deixes as almas perderem-se. Convida-as a virem a Mim. O teu
sofrimento fala-lhes ao coração; o teu sorriso, o teu silêncio, o teu silêncio
fala-lhes, fala-lhes sempre. Coragem, coragem! Tudo isto é uma revolução nas
almas. Coragem, coragem! Tudo isto são provas do meu Divino Amor para com elas.
Acode-lhes, não as deixes perder, não as deixes cair no inferno.”
— Isso quero eu,
meu Jesus. Ah, se eu pudesse pôr um aluquete no inferno para ele não mais se
abrir! Eu não quero, não, meu Jesus, que nenhuma alma se perca. Eu não quero,
não, meu Amor, ver o Vosso Divino Coração ferido. Tenho fome, muita fome, meu
Jesus, de Vos dar todas as almas e toda a consolação. Só vivo por Vós, porque
Vos amo, Jesus, não tenho outro fim na minha vida a não ser amar-Vos e dar-Vos
as almas. Outra coisa não tenho, outra não faço, não, não, meu Amor.
— “A tua vida não é
da terra, mas sim do Céu. Vem receber a gota do meu Divino Sangue. O artista
divino fez que ela passasse. Passou a tua vida, a vida de que tu vives, a vida
que por mim te é dada. Nova gota do sangue preciosíssimo de Jesus corre nas tuas
veias. Prodígio, prodígio! Oh prodígio maravilhoso! Pede sempre, pede sempre:
vida nova, vida pura, vida santa! Pede oração, pede penitência. Diz, minha
filha, que é Jesus a pedi-la pelos teus lábios. Coragem, coragem! Fica na tua
cruz. O teu Jesus, o teu Esposo inseparável é a tua força. Confia, confia!”
— Obrigada, meu
Jesus. Obrigada, meu sumo Bem. Não Vos esqueçais dos meus pedidos. Sabeis por
onde principio para acabar na humanidade inteira. Obrigada, obrigada, meu Jesus.
Obrigada pelo amor que me dais!
4 de Julho de 1953 – Primeiro
Sábado
“A maior bruxa da
humanidade” – foi o último espinho a ferir-me o coração, foi o que me
classificaram. A minha perfeição não chegou a aceitar tudo sem sofrimento.
Perdoo tudo, mas sofro, sofro muito. Foi assim ferida que me preparei para a
vinda de Jesus, hoje, ao meu coração. Ele entrou, suavizou a minha dor, não se
apressou a falar-me, mas só a Sua presença foi bálsamo. Depois da suavidade,
falou-me assim:
— “O amor inebria,
é cego, é louco. Sou louco, louco, louco de amor por ti, minha filha. És louca,
louca, louca de amor por Mim. Inclina-te, inebria-te, consome-te, desaparece
como a cera e o azeite que se vai extinguindo na lâmpada. Coragem, coragem,
minha filha. Quanto mais caluniada, mais semelhante és a Jesus. tem sempre
presente tudo quanto me acusaram. Eu era inocente. Eu era Deus. As almas, as
almas estão famintas, estão sequiosas dos teus sofrimentos. Não as deixes morrer
à fome e à sede. Minha filha, florinha do sacrário, oferece-me muitos, muitos
dos teus martírios em reparação dos sacerdotes. Ofendem-me tanto, tanto, tanto e
tão gravemente! Aceita os espinhos mais penetrantes que mais ferem o teu coração
e oferece-mos para curar as feridas do meu.”
— Que punhaladas
tão agudas! Bem as senti agora, meu Jesus. Eu não quero que elas sejam dadas no
Vosso Divino Coração, mas sim no meu, só no meu.
— “São os meus
discípulos com os seus crimes, com as suas iniquidades. E sobre tudo isto, um
mundo, um mundo criminoso. Coragem, coragem! Dá-me todo o teu martírio. Dai-me o
vosso martírio. Diz, minha filha, ao teu Paizinho que Jesus, louquinho do seu
coração, que Jesus, o tudo do seu coração, tudo resolve com a Sua ciência e
sabedoria infinitas. Diz-lhe, diz-lhe que tudo se encaminha para o triunfo, para
a vitória. Não há triunfo, não há vitória sem sangue. Dá-lhe, dá-lhe o meu
Divino Coração cheio de amor, cheio das minhas riquezas. Diz-lhe, diz-lhe que
toda a sua vida me deu glória, toda, toda a sua vida foi proveitosa, toda útil
para as almas. Quanto mais o amo, mais a Mim o assemelho. Amo-o, amo-o com toda
a loucura do meu amor. Diz ao teu médico que lhe recomendo coragem, coragem,
coragem! Diz-lhe que sou infalível. Diz-lhe que estou com ele, diz-lhe que velo
por ele e por todos os que são dele. Velo por ele e ele vela pelo que é meu.
Protejo-o e amparo-o, e ele protege e ampara a minha causa, a minha maior causa.
Eu quero, sim, eu quero que se complete o incompleto. Que se ponha na verdade o
que está no erro. Haja luz, faça-se luz. Pobrezinhos os que não quiseram ver!
Pobres daqueles que querem continuar na sua cegueira. Dá-lhe, dá-lhe todo o amor
de Jesus e de Maria. Diz, diz ao teu médico que é todo amor do Céu. É com este
amor que ele será forte, forte, sempre forte. Vem, minha bendita Mãe: necessita
muito a nossa filhinha dos nossos cuidados, amparo e carinhos.”
— “Vem cá, vem cá,
minha filhinha, para o regaço da tua Mãe Celeste. Tem coragem. Tu nada podes
temer com a nossa protecção. Eu sou o Coração Doloroso e Imaculado de Maria.”
— Ó Mãezinha, as
Vossas ternuras, as Vossas carícias, o Vosso regaço fizeram-me grande, grande
como o Céu. Eu temo tudo, porque de tudo duvido. Bem o sabeis que nenhuma,
nenhuma confiança tenho da minha vida. Vou para a minha prisão confiada. Vou só
por amor de Jesus, a Vós, a toda a Santíssima Trindade e às almas.
— “Nada temas, nada
temas. Todo o Céu está contigo, todo o Céu está convosco. Que glória, que
glória, que reparação!... Glória para Deus, reparação para as almas. Nada
negues, nada negues a Jesus, filha querida.”
— Ó Mãezinha, ó
Mãezinha, velai por mim, velai, velai por nós.
— “Recebe, filha
querida, novas carícias de Jesus e de Maria. Vai forte, com toda a fortaleza.
Vai alegre, com toda a alegria dos Santos. Fica em paz. Vai em paz. Dá a minha
paz. Leva o amor, todo o amor de Jesus e de Maria. Distribui-o, distribui-o,
distribui-o.”
— Obrigada, Jesus,
obrigada, Mãezinha. Ponho diante dos Vossos Divinos Corações todas as minhas
intenções, todas, todas. Atendei-me, despachai-as. Velai, velai por mim!
10 de Julho de
1953 – Sexta-feira
É inaudito o meu
sofrimento. Suporto a minha cruz e a dos que me pertencem e são queridos. Todo o
peso das outras se vem juntar às minhas. Sinto-me sucumbir. Se se compreendesse
bem o que é a dor, oh! quantas penas seriam suavizadas! Meu Deus, longe de mim
querer descurar a dor, querer fugir à cruz que me dais. Na terra não encontro
alívio. Só de Vós o posso esperar. Não me deixeis, meu doce Amor, cair no
desespero. Só Vós me compreendeis. Só Vós penetrais e sabeis ler no meu coração.
O que eu não quero é o Vosso desprezo e abandono. Todo o meu ser está coberto e
trespassado de espinhos. De toda a parte da terra, por todos os caminhos surgem
feras a devorar-me. A tempestade não cessa, é tremenda, é desoladora. Parece que
nada há que possa reparar tantos estragos. Senhor, sou a Vossa vítima. Aceitai
como actos de amor as minhas lágrimas e compreendei Vós os meus desabafos.
Doravante só conVosco quero desabafar. Sofrer em silêncio, morrer até de dor,
não me importo; o que eu quero é o Vosso amor, é a salvação das almas. Por vezes
não posso respirar com a dor e peso das humilhações. Bendito sejais! Bendito
sejais por me terdes criado para tanta dor, para tão pesada cruz. Ontem, no
horto, passei algumas horas como se uma lança de ferro vinda do alto me
atravessasse toda e me cravejasse à terra. Não pude ter um movimento, tive que
submeter-me a todo o sofrimento.
Hoje, na viagem
para o calvário sentia como se a cada passo, que dava ofegante a dar a vida,
desse uma cavadela no rochedo mais duro que tinha de amolecer com o meu sangue.
No alto do calvário, a abóbada do Céu pareceu juntar-se com o solo da montanha.
Queria dar-lhe um abraço e beijo de paz. Quanto mais o fim da agonia se
aproximava, mais esse abraço e beijo eram intensos. O calvário estava
representado dentro do meu peito. Jesus na cruz, S. João e as três Marias. O
olhar da Mãezinha doloroso e também agonizante fez sofrer mais e mais o Coração
amantíssimo de Jesus. Ele expirou e nesse momento pareceu que a minha alma
deixou também o meu corpo. Por algum tempo só reinou o silêncio da morte. Entrou
a vida no meu coração, entrou a luz, e a voz do Senhor fez-se ouvir dentro de
mim:
— “Alerta, alerta,
fazei guarda de honra. Jesus desceu do Céu. Jesus entrou no seu palácio. Entrou
e já estava, entrou, entrou sem ter saído. Este coração, este coração é a minha
morada permanente. Estou aqui, estou aqui, minha filha, apesar de me esconder,
apesar de não sentires em ti a minha presença. Este palácio, que é o teu coração
encantador, teve sempre a Jesus desde o momento do teu baptismo. São palavras
afirmativas de Jesus. Jesus não engana. Jesus não mente. Estou em ti sempre,
sempre, esposa querida, mas agora numa forma mais diferente. Estou em ti, não
por ti, estou em ti para me dar por ti. Os meus colóquios não são para ti. Os
meus colóquios têm o fim das almas. Fazem parte da tua nobilíssima missão. As
almas, as almas, fala-lhes, fala-lhes. Não as deixes perder. Foste criada para
elas. São tão grandes, tão profundas, são tão grandes, tão profundos os
desígnios, os desígnios do Senhor na tua alma!... Coragem, coragem! Avante
sempre! Triunfa, triunfa, triunfa o Senhor. Triunfa à custa de indizíveis dores,
de indizível martírio. Dor e sangue, dor e sangue, dor e sangue. Sangue e
entrega de vida. Sofri, dei o sangue, dei a vida para dar a vida à humanidade.
Tu sofres, vítima querida, para me entregares a tua vida e dares a vida a
milhares, milhões de almas. Só assim podes ser, minha filha, a minha cópia mais
fiel.”
— Acredito, Jesus,
porque Vós o dizeis. Acredito, Senhor, mas é só agora. Fora deste colóquio, fora
desta intimidade conVosco não acredito em nada, em nada. Duvido de toda a minha
vida. Só Vós conheceis, meu Jesus, o grande martírio da minha alma. Ninguém como
Vós sabe o que ele é por Vós e pelas almas. Só me tranquiliza o sempre ter
vivido só com os olhos em Vós e nada fora de Vós. Não permitais nunca, Jesus,
que eu me desvie, que eu saia fora da Vossa divina vontade.
— “Maravilha,
maravilha, oh portento, oh portento divino! A tua vida, a tua vida é obra, obra,
obra só de Deus. Não é compreendida, porque as coisas de Deus, as coisas
grandes, grandes, só no Céu são compreendidas. Eu quero, Eu exijo, tanto quanto
possível, aos homens, compreendê-la e fazê-la conhecida. A glória, a glória é
toda minha. O proveito é para as almas. Eu quero, Eu quero, Eu exijo o que está
incompleto. Eu exijo o que está no erro e não o que está na verdade.”
— Jesus, Jesus, sou
a Vossa bolinha. A Vós me abandono. Em Vós confio. Deixo-me jogar. Morra eu hoje
ou morra quando Vos aprouver, mas morra sempre a fazer a Vossa divina vontade.
— “Sempre a tens
feito, minha filha, e sempre por ti será bem desempenhada. Tem coragem, tem
coragem! Tende coragem! Eu velo, Eu velo, Eu velo. Vem receber a gota do meu
Divino Sangue. Foi maior a gota do Sangue. Foi maior a efusão de amor. A dor, a
dor consome-te muitas forças, muita vida. Tenho mais de velar por ti. Passou a
vida de que tu vives, passou o amor que te fortalece e por ti é dado às almas.
Vai em paz, vai em paz. Pede oração, pede penitência. Lembra, lembra sempre,
sempre: Jesus está triste, Jesus está triste, Jesus quer reparação.”
— Ó meu Jesus,
muito obrigada, muito obrigada, meu Amor. O meu eterno obrigada! E não Vos
esqueçais de todos, todos os meus pedidos. Sede comigo, não me abandoneis.
17 de Julho de
1953 – Sexta-feira
De todos os lados
me surgem leões que tentam devorar-me. O meu pavor é contínuo. Recorro ao Céu, a
Jesus e à Mãezinha. Mas, ai, nem uma luz, nem um conforto. O Céu está fechado.
Portas e mais portas, uma sobre as outras encerram-no, fecham-no de cima a
baixo. Não tenho conforto de parte alguma. A minha vida já se apagou como azeite
que se extingue e cera que se derrete. A dor terminou com todo o meu ser. Sinto
que nada tenho que possa dizer que existe, a não ser a dor, porque essa não sei
como vive. Parece que tem olhos, ouvidos e tudo o que se possa chamar ser. Ela
vive o mais fortemente, ela viva a mais não poder viver. Ó dor, ó dor, minha
amada, eu não posso separar-me de ti. Quero-te indizivelmente, porque só tu me
elevas ao meu Senhor. Repetem-se os punhais, repetem-se os espinhos uns sobre os
outros como montes de moinha. Ai, se eu ao menos consolasse a Jesus e a
Mãezinha! Se eu desse à Trindade Divina a glória, a honra, a reparação devida!
Pobrezinha! Nada dou!... Nada em mim se aproveita. A inutilidade, a pavorosa
inutilidade, tudo me vem roubar. Meu Deus, meu Deus, morro desfalecida, morro
nas trevas, nada vejo. Tenho tanta necessidade de luz, de amparo, de conforto!
Valei-me, ó Céu, valei-me, ó Céu!... Na terra parece não existir ninguém a meu
favor. Para mim não há luz, nem guia. Para mim não há sol nem vida. Meu Deus,
tudo é morte! Meu Deus, tudo é morte! Não posso falar. Como é grande e doloroso
também o estado do meu corpo! O meu horto de ontem, o meu calvário de hoje foram
torturantes de agonia e pavor constantes. Quando, hoje, caminhava para o
calvário, todo o meu ser era sangue, na alma e no corpo. O coração desfeito pela
dor parecia desfazer-se fio a fio como pano apodrecido. Fui arrastada pelos
cabelos ensopados em sangue. Lágrimas, muitas lágrimas de sangue rolavam-me
pelas faces. Sem nenhuma gota de sangue, sob o peso das maiores humilhações
expirei na maior agonia. Pouco depois de entregar ao Pai o espírito e ficar no
silêncio da morte, veio Jesus, triste, mas com toda a Sua vida e com todo o Seu
amor, aqueceu-me com o Seu fogo, deu-me a Sua vida e falou-me assim:
— “A ira, a ira, a
ira do Senhor!... Estou triste, muito triste, minha filha, com o dia da justiça
de meu Pai. O dia da ira, o dia da ira, o dia da ira aproxima-se, minha filha.
Ai do mundo, ai de Portugal, que não soube nem sabe aproveitar-se das graças de
Jesus. Estou triste, triste, muito triste, esposa minha. Tantos convites, tantos
avisos e a pobre humanidade não atende. São horas, são dias de lágrimas, muitas
lágrimas, e não de alegrias, falsas alegrias. Fala às almas, fala às almas, para
quem foste criada. Fala às almas, fala às almas enquanto é tempo, tu que és mãe.
Não as deixes perder. Condu-las sempre ao meu Divino coração e ao de minha
Bendita Mãe. Estou triste, muito triste, tristíssimo, minha filha, por tantas
coisas.”
— Jesus, Jesus,
unimos as nossas tristezas, ou melhor, meu Amor, prefiro: passai para mim a
Vosso tristeza. Sou sempre a Vossa vítima. Só isto exijo: graça e força.
Alegrai-Vos, meu Jesus, e deixai-me a mim na tristeza, sempre na tristeza e na
dor.
— “Minha filha,
minha filha, florinha eucarística, tabernáculo do Altíssimo, estou triste com o
mundo, com os pecadores. Não se convertem, ofendem-me tanto, tanto! Estou triste
com os que se opõem à minha bendita causa. Foi, tem sido sempre a oposição
demasiada. É a perseguição satânica, é veneno de víbora. A tais oposições, a tal
veneno, Eu hei-de pedir estreitas contas, rigorosas contas. Das coisas
pequeninas Eu faço coisas belas, as maiores maravilhas. Eu delicio-me nos
humildes. Trabalho entre os humildes e quantas vezes com os instrumentos mais
fracos, mais pequeninos. Mas aí Eu faço o que há de maior, o que há de mais
prodigioso.”
— Ó Jesus, queria
obedecer, bem me compreendeis. Tenho tanto medo de mim!
— “Basta, basta,
heroína. O teu receio é para Mim a maior consolação! Não e preciso mais nada. Eu
digo tudo. A palavra do Senhor não volta atrás, quando não for dita sob
condições. Estás aqui, estás aqui, sempre aqui. Tu comigo e Eu contigo. Reparai,
reparai bem no que está escrito há dez anos. Complete-se, complete-se o
incompleto. Ponha-se na verdade o que está no erro. Eu quero a profundeza nas
coisas de Deus e não nas coisas da terra. O que é Deus! O que é o homem! De que
vale tudo o que é do mundo, se se perde Deus. Em verdade, em verdade te digo,
esposa querida. Se o mundo se calasse, eu faria que falassem as pedras a exaltar
a glória do Senhor. Coragem, coragem, minha filha. Coragem em tudo, coragem em
todos os que trabalham na minha causa, coragem em todos os que sofrem.
Vem receber a gota
do meu Divino Sangue. Uma forte efusão de amor encheu o teu coração. Uma gota
grande de Sangue Divino já corre nas tuas veias. É Jesus a velar, é Jesus a
reparar as forças perdidas. É o alimento divino a alimentar-te mais fortemente.
Comunica este amor, esta vida, tudo o que de mim recebes. Distribui, distribui,
dá às almas com abundância, com muita abundância. Pede oração, pede penitência,
pede emenda de vida. Agora peço Eu, Eu, Jesus, mais ainda. Repito, repito: haja
luz, haja luz, haja luz! Faça-se luz sobre o farol do mundo, sobre a escora da
justiça de meu Pai.”
Ó Jesus, não Vos
esqueçais dos meus pedidos, não Vos esqueçais, meu Amor, da humanidade inteira.
Sede a minha força, sede o meu conforto. Eu sou a Vossa vítima. Ó Jesus, fico
sossegada? Obedeci? Cumpri o meu dever?
— “Sossega,
sossega! Confia, confia, confia, esposa fidelíssima de Jesus. Fica em paz. Fica
em paz e leva a minha paz.”
— Obrigada,
obrigada, meu Jesus, meu doce Amor. Velai sempre pela mais miserável e a mais
indigna das Vossas filhas.
24 de Julho de
1953 – Sexta-feira
A vontade está
pronta, mas só essa quer e aceita a vontade santíssima do Senhor. A natureza
quer, parece que se esforça por se sacudir sob o peso da cruz. A vontade está
mais firme que a rocha. Sem ter ser, tem sorrisos, tem coração que ama, tem
lábios que beijam, tem braços que abraçam tudo o que vem do Céu, tudo o que vem
de Jesus. que luta, meu Deus, que luta! A natureza contra a vontade. A vontade
ama a cruz, a natureza parece revoltar-se contra ela. Tenta fugir por toda a
parte. Só Jesus é o sábio deste meu sofrimento, só Ele pode compreendê-lo. A
minha ignorância não me deixa exprimi-lo e a inutilidade que tudo mata, que tudo
me rouba. Tenho necessidade de dizer coisas, muitas coisas, mas não posso, pelo
meu sofrimento. O coração não deixa de falar. Parece que com um sopro diz tudo
ao mundo e o faz compartilhar daquilo que está cheio. Na noite de quarta para
quinta-feira vi diante de mim uma imagem do Coração Divino de Jesus em tamanho
natural. Por detrás dele estava a cruz. Só lhe vi três pedacinhos: dois adiante
das mãos e um acima da cabeça. O Coração de Jesus estava no centro do seu peito.
Era tão grande, enchia-lho todo. Fervia, escacholava, deitava fora. Estava todo
rodeado de chamas as quais me deram toda a luz para poder ver tudo. Compreendi
que Jesus queria amor e queria dor. Não conversámos, mas esta visão deu conforto
à minha alma. Nada disse a ninguém e nada fazia conta de dizer. Foi grande o
temor que me invadiu, o receio de me ter enganado. Hoje o colóquio de Jesus
levou-me a ter que dizer alguma coisa. Quanto mais vou vivendo, mais me vou
separando do horto e do calvário, mais parece que lhe fujo, maior é a minha
indiferença. Ontem abismei-me naquele solo duro. Ele abria-se em fendas nas
quais eu me mergulhava e misturava com a terra na maior dor e agonia.
Hoje, na viagem
para o calvário, não era eu que caminhava, era uma outra vida que o meu ser
tinha. Essa vida abria um novo caminho da amargura. No entanto, estes ficavam
amolecidos, regados com o meu sangue. No cimo da montanha, esta vida removeu
sempre o rochedo de que ela estava formada. O sangue continuou a regá-la e a
vida do Céu tinha que lhe ser dada. O abandono era completo, a mesma vida do Pai
se comunicava à minha. Foi Jesus e não fui eu que ao Pai entregou o seu
espírito. No entanto, a minha alma sentiu a separação do corpo. Após algum tempo
desta separação e silêncio de morte, veio Jesus, cheio de vida, encheu-me dela e
com muita doçura falou-me assim:
— “Sacrário ditoso,
sacrário de delícias é o teu coração, minha filha. É ditoso, porque me possuis;
delicio-me nele, consolo-me nele, não posso separar-me dele. És tu ditosa e Eu
sou exaltado e nele deliciado. O mundo, o mundo, os homens, os homens! São
poucos, muito poucos aqueles que conhecem a minha vida nas almas. Tudo isto
entristece e faz sofrer o meu Divino Coração. A dor é mais intensa e profunda
quanto mais esses homens me pertencem e deviam ser dignos de mim. Não é
compreendida a minha vida nas almas, porque não se compreende verdadeiramente a
grandeza da graça nas almas. Uma alma em graça, uma alma revestida de Cristo
vive esta mesma vida, dá em tudo provas da verdadeira vida de Cristo. Coragem,
coragem, minha filha, coragem, louquinha, louquinha da Eucaristia. Coragem,
coragem, louquinha, louquinha das almas. Jesus vive em ti, compreende-te, lê no
teu coração. Cruz e amor, cruz e amor, amor e dor. Na cruz está a dor, minha
filha, na cruz está a dor. Foi a razão que eu fiz que me visses unido à cruz,
mas todo a arder em amor.”
— Ah! Sim, meu
Jesus, já sei, não ia dizer nada. Foi na noite de quarta para quinta, não foi,
meu Jesus? Bem sabeis porque eu nada dizia: sou sempre a mesma duvidosa, duvido
de tudo o que em mim se passa. Eu vi bem claramente, mas temia enganar-me. Eu só
vi os braços da cruz, o que ia adiante das Vossa divinas mãos e o que ia na
Vossa sacrossanta cabeça, mas compreendi bem que era a cruz. Vós não estáveis
nela crucificado. Era a imagem natural do Vosso Divino Coração. Ele fervia como
panela sobre o lume, Jesus. as chamas que d’Ele saíam iluminavam tudo; foram as
que me fizeram ver a cruz por trás de Vós, meu doce Amor. Nada disse e nada
diria.
— “Eu conheço o teu
receio, minha filha, eu já to tenho prevenido para tudo dizeres.”
— O pior é o medo,
Jesus! Se não fosse isso!... Perdoai-me, perdoai-me, mas eu parece que já estou
cheia de Vós. Não é de Vós, meu Jesus, mas é das Vossa coisas. Parece de Vós,
mas é o medo que me faz tudo. Se me désseis a escolher, eu nunca, nunca quereria
ter tido um colóquio conVosco. Queria amar-Vos tanto quanto Vós quereis que Vos
ame, já não digo quanto merecíeis, porque isso é impossível; queria sofrer tudo,
tudo por todas as almas, mas mais nada, nada eu quereria. Mas, como não tenho
querer, aceitei e aceito, meu Amor. Perdoai-me, é um desabafo de filha para o
seu Pai. Mas agora, Jesus, tendes de dizer se me perdoais. Já sei que perdoais:
basta o Vosso contentamento, o Vosso sorriso, Jesus, para dizerdes tudo.
— “Pensas que não
sou Eu que permito tudo isto? É luz, mais luz que Eu dou, são provas, mais
provas de que estou Eu em ti, só Eu, minha filha. Estás perdoada, bem sabes que
o teu Jesus tudo perdoa, e o que quer é perdoar aos maiores pecadores. Ah! Se
eles quisessem aceitar o meu perdão, até esses, até esses, minha filha, seriam
perdoados. Eles não querem, eles não querem, eles não querem aceitar o perdão do
Senhor. Ai o mundo, ai o mundo, minha filha, ai a ira do Senhor, ai a ira do meu
Pai sobre o mundo. Fala às almas, fala às almas, fala-lhes, convida-as todas a
virem a Mim, ao meu Divino Coração. Tem coragem, tem coragem, tem coragem.
Dentro em pouco, muito em pouco vão realizar-se aquelas palavras que já há muito
te disse: os meus colóquios vão ser para um conforto e quase que nada mais. Dou
conforto e a gota do meu Divino Sangue que não deixarei de te dar enquanto
estiveres na terra. E vem agora recebê-la. Os nossos corações uniram-se. Fizeram
choque um contra o outro. A gota do meu Sangue passou. O meu tomou a forma de
infusa e sobre o teu deixou cair uma gota abundante de Sangue Divino. É o teu
alimento. Quanto mais a dor te consumir, maior gota de sangue recebe o teu
coração. Coragem para ti, coragem para todos, coragem e confiança. O inferno
nada pode contra o Céu. Recomenda sempre, recomenda, lembra. Lembra sempre
oração, penitência e emenda de vida.”
— Ó Jesus, sou a
Vossa vítima, a Vós me abandono pela Mãezinha. Fazei de mim o que Vos aprouver.
Sede sempre a minha força e a força dos que sofrem comigo por minha causa. Ai
como custa, meu doce Amor! Sou a Vossa vítima, Jesus, sou vítima da Justiça do
Vosso Eterno Pai. Fazei que ela se afaste, fazei que não caia sobre nós a Sua
ira. Lembro-Vos a todos os que me são queridos e todos os que querem as minhas
orações. Ó Jesus, lembro-Vos os amigos e os inimigos, lembro-Vos a humanidade
inteira. Obrigada, meu Jesus, obrigada pelo Vosso amor. Estou a nadar nele.
Obrigada, obrigada!
31 de Julho de
1953 – Sexta-feira
A minha vida de
cada dia, o meu pão de cada momento, da noite e o do dia, é a dor. Meu Deus,
quanto eu tenho sofrido! É grave, muito grave o meu sofrimento! Será a morte que
vem buscar-me? Será que se aproxima o meu grande dia, o meu maior dia? Não sei:
só Jesus o sabe. Seja o que Ele quiser. Uma só coisa me prende à terra, mas essa
mesma é só por Jesus e pelas almas. É Ele a causa desta prisão. Ninguém me vale.
Os que podem não querem; os que querem não podem. Parece que não tenho ninguém
por mim. Sede bendito por tudo, meu Senhor. Sede Vós o meu Amigo justo e
infalível. Confio no Vosso amor e misericórdia infinita, apesar de profundamente
ver o meu nada e saber que nada Vos mereço. Ai, os segredos da minha dor! Ó
inutilidade, ó inutilidade, o que me fizeste tu! A dor não é minha; o meu horto
e o meu calvário já não têm vida. Ontem, a minha dor enchia o mundo e enchia o
Coração de Deus. As minhas ânsias de possuir o mundo, de o meter todo dentro dum
Coração, que não era meu, eram infinitas; não podia aguentá-las; quase me
tiravam a vida; fizeram-me agonizar sobre o solo do Horto.
Hoje, o meu
calvário morto tinha lágrimas. Estas mergulhavam nela a humanidade inteira. Esta
morte bradava e junto a ela havia a dor infinita e as ânsias infinitas de ao
mundo dar a vida. No calvário agonizei, ou melhor, eu já estava morta e outra
morte sobreveio. Na primeira fez-me desaparecer. Era eu sem Jesus, fora de
Jesus. Passaram-se momentos. Ele veio unir-se a mim. Então eu já era outra a
viver n’Ele, d’Ele e para Ele. Falou-me assim o meu Amado, no meu coração:
— “Desceu a ti a
vida do Céu a comunicar-te mais e mais a mesma vida de que tu só vives. O que é
de Deus vive para Deus. O que é do mundo vive para o mundo. Todas as criaturas
foram criadas para Deus, mas a maior parte vive como se Deus não existisse, vive
como se a vida da terra fosse duradoura, fosse eterna. Ah! Minha filha, se tudo
isto fosse bem compreendido! Se toda esta minha vida nas almas fosse posta em
prática! Não havia dívidas, tantas dúvidas. Dúvidas que muito entristecem o meu
Coração Divino, o meu Coração de Pai. Quando eu encontro uma alma
verdadeiramente generosa que se entrega toda, toda a Mim, que se submete em tudo
e para tudo à minha divina vontade, faço tudo nessa alma, opero nela as maiores
maravilhas em favor de milhões e milhões de almas, em favor da humanidade. São
raras, raras, muito raras essas almas generosas. Mais havia, se houvesse mais
luz, mais amparo e não fossem tantos voos cortados. Quanto encontro nestas
poucas, tudo, tudo o que Eu faço, o que Eu faço!... Obras minhas, obras minhas…
Meios extraordinários, os maiores meios extraordinários, esses que raras vezes
são compreendidos para salvar os filhos meus. Para ser mais e mais provado o meu
poder, maiores prodígios, maiores prodígios tenho que obrar e operar. De tudo me
sirvo para livrar as almas do inferno. Para que essas portas se fechem, é
preciso força, dor, dor, generosidade, amor louco, amor louco.”
— Ó Jesus, ó Jesus,
sinto, compreendo que as Vossas palavras tenham um fim alto, uma grandeza
infinita! Elas têm a Vossa sabedoria, bem o compreendo. Mas não sei, isso não
sei, onde elas vão parar. Não lhes vejo o fim. Que campo infinito! Não me
importo, seja o que for, meu Jesus. Eu dou-me a Vós, renovo a minha oferta. Não
sou minha, mas sou Vossa, meu Jesus. Não vivo para mim, mas sim para Vós. Fazei
desta pobrezinha, a maior pobrezinha, o que Vos aprouver, tudo o que Vos
aprouver.
— “Minha filha,
esposa querida, não são para ti, são para as almas os meus colóquios. Tu és a
possuidora da luz, mas não és tu a fazer aparecer essa luz. Haja luz; faça-se
luz! Depressa, depressa! O bem é para as almas, o bem é para a humanidade. Tu és
o porta-voz de Jesus, transmites o que te diz Jesus. A luz está em ti, a luz sai
de ti, mas não és tu a abrir essa luz. A tua missão nobre, nobilíssima, não
acaba na terra, tantas vezes o tenho dito. Ela vai continuar no Céu. E vai
continuar com mais brilho ainda. No Céu não entram estorvos, no Céu não entra o
veneno. Esse veneno de víbora, esse veneno satânico. Esse veneno, se Jesus
quisesse, ah! se Jesus quisesse, mostrava todo o lugar onde ele está. Coragem,
minha filha, fala às almas no pouco tempo que te resta de vida na terra.
Vem receber a gota
do meu Divino Sangue. Que profunda união, que inigualável união da esposa com o
seu Esposo! Uniram-se os nossos corações. A gota do Sangue passou. Foi grande,
grande, precisava de ser grande. A dor tudo em ti consome. Sofre, sofre sempre a
sorrir, sempre a vontade a sorrir. A dor purifica, eleva, salva. A dor é
salvadora. Coragem, coragem. Fica na tua cruz. Jesus está contigo, Jesus não te
abandona. Não esqueças o convite de Jesus: penitência, oração, emenda de vida.”
— Ó Jesus, sou a
Vossa vítima; sede a minha força. Só conVosco conto e com a Mãezinha.
Apresento-Vos num molhinho todos os meus pedidos, todos, todos, não Vos
esqueçais. Obrigada, obrigada, meu Jesus, pela Vossa terna, amável e doce
companhia!
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