A torre da igreja de Balasar
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É sabido que a torre da Igreja Paroquial de Balasar
representou para a Alexandrina algo especial. Quando revivia
a paixão com movimentos, era usual no fim ir até à janela,
donde ela se via, e fazer daí a sua visita ao Santíssimo.
Também ela poderia repetir com o poeta, a propósito dos seus
sinos:
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
Para a sua devoção eucarística, o Santíssimo era o seu Tudo,
e a torre era o sinal de que Ele estava ali.
A torre é um elemento acessório da igreja, mas de construção
dispendiosa. Nalguns casos, em que era dupla e vistosa,
chegaria a custar quase tanto como todo o resto do edifício.
A torre da igreja do Matinho cujos sinos tocaram quando a
Alexandrina foi baptizada era muito diferente da actual:
possuía “um torreão de duas empenas e duas sineiras”.
Qualquer coisa semelhante ao que se vê ainda em Rates, mas a
dobrar. |
Se a Igreja Paroquial de Ba-lasar é um amplo templo, a sua
torre não destoa em imponência |
Da torre de Balasar a outras torres
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Com a palavra torre podem-se designar realidades bem
diferen-tes: entre as torres das nossas igrejas, a de Pisa e
a torre Eiffel há pouca semelhança.
Aqui só nos interessam as sineiras e dessas apenas as
sineiras do arciprestado da Beata Alexandrina, de modo
particular as paroquiais.
Quem sabe que há até
torres sineiras
que são Património da Humanidade? Vejam-se muitas outras
neste
endereço.
A torre convida-nos para as alturas, para nos elevarmos do
que é vulgar. Mas as das igrejas dirigem uma mensagem
particular. |
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A torre do antigo Mosteiro de Rates, segundo um modelo de
que já restam poucos exemplares. |
A velha torre do Convento de S. Francisco
de Vila do Conde |
A
torre sineira não tem hoje nas paróquias o lugar que já teve noutros
tempos, quando pautava a vida das comunidades: ela chamava para os
actos religiosos, anunciava as Ave-Marias (ou Angelus), as
Trindades, tocava de alegria em baptizados e casamentos ou chorava
dolentemente por altura dos enterros, anunciava o fim do período de
trabalho. Se hoje a vida mudou, se não dependemos do relógio da
torre, ela mantém ainda simbolismo.
Mas
sobretudo, como para a Alexandrina, ela pode anunciar a presença do
Santíssimo, que deve ser uma referência constante da vida do
católico.
Torres no arciprestado da Alexandrina
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As torres sineiras, mesmo as do arciprestado da Beata
Alexandrina, podem apresentar feitios muito diferentes. O
modelo mais comum é o da torre quadrada, com cúpula em forma
de pirâmide ou outra, como a de Balasar. A mais antiga,
próxima desse modelo, deve ser a pesada torre da Paróquia de
Vila do Conde, que vem da segunda metade do séc. XVI.
Houve um modelo de torre mais barata e mais simples, apenas
uma grossa parede, terminada em empena, onde se encontravam
as aberturas para os sinos, como a de Rates, as do Convento
de S. Francisco de S. Francisco e do Mosteiro de Santa Clara
em Vila do Conde, a de Parada (que já não tem sinos e
certamente vai ser demolida), a da Igreja Velha do Outeiro
Maior (destruída, mas de que há fotografia) e a desaparecida
do Matinho, em Balasar.
Todavia há torres mais ou menos poligonais, como a de S.
José de Ribamar ou a nova do Outeiro Maior, igrejas com duas
torres, como no do Mosteiro da Junqueira e na Lapa (em Vila
do Conde), na da Matriz da Póvoa de Varzim, na Basílica do
Sagrado Coração de Jesus e em Beiriz e Terroso.
Depois, há torres adossadas à igreja, como as da Matriz de
Vila do Conde, que é construção posterior ao edifício
principal, as de Beiriz e de Terroso, a de Nabais e a de Rio
Mau (nova) e torres integradas na estrutura principal, caso
mais comum.
E há torres destacadas da igreja (de novo a do Outeiro
Maior), Rio Mau (Igreja Velha) e Rates. |
Esta pesada torre da Matriz de Vila do Conde talvez seja o
exemplar mais antigo dum modelo que depois se divulgou |
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Torre de Parada |
Torres
em forma poligonal: |
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Outeiro Maior |
S. José de Riba-mar, na Póvoa de Varzim |
Outras
são sobrepostas à entrada axial (Aguçadoura e Amorim – Igreja Nova)
e a de Nossa Senhora da Saúde, em Laundos.
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Igreja Velha de Rio Mau, sobre a porta de entrada do
Cemitério |
A bela igreja nova de Amorim, com a torre sobre a entrada
principal |
Igreja de
Aguçadoura
com a torre
sobre a entrada principal |
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A das Caxinas fica sobre a capela-mor.
Tanta diversidade e em que tão pouco se repara!
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TORRES
E SINOS NA POESIA

Tocam os sinos da torre da igreja
Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia, que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.
Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia, que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!
Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.
Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!
Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!
Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia, que Deus a proteja!
Já passou a procissão.
António Lopes Ribeiro
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Tarde de Agosto
Domingo. O sol molesta,
Incendeia o horizonte.
Tocam sinos à festa
Em S. Pedro do Monte.
Num ramo de giesta
Canta um melro defronte.
É poeta: manifesta
O estro de Anacreonte.
Nos fios telefónicos
Andorinhas baloiçam...
Outras cruzam pelo ar.
E risonhos, harmónicos,
Os sinos de há pouco – oiçam! –
Repicam sem cessar.
Matias Lima
Ó sino da minha aldeia
Ó sino da minha aldeia,
Dolente na tarde calma,
Cada tua badalada
Soa dentro da minha alma.
E é tão lento o teu soar,
Tão como triste da vida,
Que já a primeira pancada
Tem o som de repetida.
Por mais que me tanjas perto
Quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho,
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
Vibrante no céu aberto,
Sinto mais longe o passado,
Sinto a saudade mais perto.
Fernando Pessoa
Sino de Belém
Toca o sino, pequenino,
sino de Belém
Já nasceu o Deus Menino,
para nosso bem. (2x)
Venham pastorinhos,
Venham a Belém,
Vamos ver Maria
E Jesus também.
Vamos minha gente,
vamos a Belém,
Pois já veio ao mundo
Jesus, nosso bem.
Refrão
Eu ouvi tocar o sino,
Eu ouvi chamar por mim,
Sendo eu tão pequenino
Quem me chamará assim?
oje a noite é bela
Oração final:
A todos desejamos
Um feliz Natal! |
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