“O derramamento do seu sangue foi um admirável acto de culto e de
amor a Deus e, segundo as palavras do Evangelho, Cristo dá
testemunho diante do Pai celeste em favor dos mártires fiéis que
deram testemunho d’Ele diante dos homens”.
No
século XVII (1633-1637), na cidade de Nagasaki, do Japão, derramaram
o seu sangue por amor de Cristo
dezasseis
mártires: Lourenço Ruiz e seus Companheiros. Este grupo de mártires,
da Ordem de São Domingos ou a ela associados, é constituído por nove
presbíteros, dois religiosos, duas virgens e três leigos, entre os
quais se conta Lourenço Ruiz, chefe de família, natural das
Filipinas.
Como
foi escrito algures,
na véspera do dia 27 de Dezembro de 1637 foi cantado um Te Deum
na igreja de São Domingos, quando chegou a notícia do martírio que
sofreram na cidade de Nagasaki um grupo de dezasseis cristãos, entre
os quais se encontravam o Padre António Gonzalez, superior da
missão, dominicano espanhol natural de Deón, e Lourenço Ruiz, chefe
de família, natural de Manila, do bairro chamado Binondo, nos
arredores da cidade. Também estes testemunhos da fé cantaram salmos
ao Senhor, celebrando a sua misericórdia e o seu poder, quando eram
levados para o cárcere e suportavam a morte, durante o martírio que
se prolongou por três dias.
A fé vence o mundo. A pregação da fé é como o sol que ilumina todos
aqueles que desejam chegar ao conhecimento da verdade. De facto, são
diversas as línguas que se falam no mundo, mas é só uma e a mesma
tradição cristã que se proclama em toda a terra.
O Senhor Jesus resgatou com o próprio sangue os seus servos,
reunidos de todas as tribos, línguas, povos e nações, a fim de os
constituir um reino de sacerdotes para o nosso Deus.
Os dezasseis bem aventurados mártires, exercendo o sacerdócio do
Baptismo ou das Ordens Sagradas, realizaram um admirável acto de
culto e de amor a Deus ao derramarem o seu sangue, unido ao
sacrifício de Cristo no altar da Cruz, imitando a Cristo sacerdote e
vítima, do modo mais sublime que é possível a criaturas humanas. Foi
ao mesmo tempo o supremo acto de amor para com os irmãos, pelos
quais também nós somos convidados a dedicar nos com toda a
diligência, seguindo o exemplo do Filho de Deus que por nós deu a
sua vida.
Na verdade, foi isto que Lourenço Ruiz realizou. Conduzido pelo
Espírito Santo a um fim de vida inesperado, por caminhos expostos a
constantes perigos, declarou aos juízes que era cristão e ia morrer
por Deus: “Gostaria de oferecer por Ele mil vezes a minha vida.
Nunca serei apóstata. Se quiserdes, podeis matar me. A minha vontade
é morrer por Deus”.
Aqui temos o verdadeiro sentido da sua vida, a manifestação da sua
fé e o motivo da sua morte. Nesse momento, o jovem chefe de família
fez a suprema profissão de fé e atingiu a perfeição da catequese
cristã, que recebera na escola dos Irmãos da Ordem de São Domingos
em Binondo; de facto, Cristo é o único centro de toda a catequese,
porque é Cristo o seu objecto e é Cristo que ensina pela boca dos
seus mensageiros.
O exemplo de Lourenço Ruiz, filho de pai chinês e mãe tagala,
recorda nos a cada um de nós que devemos orientar para Cristo toda a
nossa vida. Ser cristão significa isto mesmo: oferecer se cada dia,
como resposta à oblação de Cristo, que veio a este mundo para que
todos tenham vida e a tenham em abundância.
Todos
eles, em tempos e circunstâncias diversas, dilataram a fé cristã nas
Filipinas, na Formosa e no Japão, manifestando de modo admirável a
universalidade da religião cristã e, como invencíveis missionários,
espalharam a semente da futura cristandade com o exemplo da sua vida
e da sua morte. Foram canonizados por João Paulo II a 18 de Outubro
de 1987.
Fonte: Secretariado
Nacional de Liturgia |