Fernando nasceu
na vila de Valparaíso, em Zamora, Espanha, no dia 1o de agosto de 1198. Era
filho do famoso
Afonso IX de Leão, que reinou no século XII. Um rei que brilhou
pelo poder, mas cujo filho o suplantou pela glória e pela fé. A mãe era
Barenguela de Castela, que o educou dentro dos preceitos cristãos de amor
incondicional a Deus e obediência total aos mandamentos da Igreja. Assim ele
cresceu, respeitando o ser humano e preparando-se para defender sua terra e seu
Deus.
Assumiu com
dezoito anos o trono de Castela, quando já pertencia à Ordem Terceira
Franciscana. Casou-se com Beatriz da Suábia, filha do rei da Alemanha, uma das
princesas mais virtuosas de sua época, em 1219. Viúvo, em 1235, contraiu segundo
matrimónio com Maria de Ponthieu, bisneta do rei Luís VIII, da França. Ao todo
teve treze filhos, o filho mais velho foi seu sucessor e passou para a história
como rei Afonso X, o Sábio, e sua filha Eleonor, do segundo casamento, foi
esposa do rei Eduardo I da Inglaterra.
Essas uniões
serviram para estabilizar a casa real de Leão e Castela com a realeza germânica,
francesa e inglesa. Condizente com sua fé, evitou os embates, inclusive os
diplomáticos, e aplacou revoltas só com sua presença e palavra, preferindo ceder
em alguns pontos a recorrer à guerra. Sob seu reinado foram mudados os códigos
civis, ficando mais brandos sob a tutela do Supremo Conselho de Castela,
instituiu o castelhano como língua oficial e única, fundou a famosa Universidade
de Salamanca e libertou sua nação do domínio dos árabes muçulmanos. Abrindo mão
do tempo desperdiçado com novas conquistas, utilizava-o para fundar novas
dioceses, erguer novas catedrais, igrejas, conventos e hospitais, sem recorrer a
novos impostos, como dizem os registros e a história.
Em 1225, teve que
pegar em armas contra os invasores árabes, mas levou em sua companhia o
arcebispo de Toledo, para que o ajudasse a perseverar os soldados na fé. Queria,
com a campanha militar, apenas reconquistar seus domínios e propagar o
catolicismo. Vencida a batalha, com a expulsão dos muçulmanos, os despojos de
guerra foram utilizados para a construção da belíssima catedral de Toledo.
Durante seu reinado, cidades inteiras foram doadas às ordens religiosas, para
que o povo não fosse oprimido pela ganância dos senhores feudais.
Com a morte do
pai em 1230, foi coroado também rei de Leão. Em seguida, chefiou um pequeno
exército, aos seus moldes, e reconquistou dos árabes ainda Córdoba e Sevilha,
onde edificou a catedral de Burgos. Pretendia lutar na África da mesma forma,
mas foi acometido de uma grave doença. Morreu aos cinquenta e três anos, depois
de despedir-se da família, dos amigos e companheiros, no dia 30 de maio de 1252,
em Sevilha.
Imediatamente, o
seu culto surgiu e se propagou rapidamente por toda a Europa, com muitas graças
atribuídas à sua intercessão. Foi canonizado pelo papa Clemente X, em 1671, após
a comprovação de que seu corpo permaneceu incorrupto. São Fernando III é
venerado, no dia de sua morte, como padroeiro da Espanha.
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