Devido à violência
da perseguição de Décio, a sede pontifical de Roma esteve vacante por mais de
doze meses depois do martírio do Papa São
Fabiano,
até que o sacerdote Cornélio foi eleito Papa. Entretanto, os primeiros problemas
do novo Papa surgiram nem tanto do poder secular mas mais ainda das dissensões
internas, mesmo se estas tinham a sua origem na mesma perseguição.
Com efeito, ele
teve igualmente de se opor ao cisma de Novaciano : este não aceitava que aqueles
que durante a perseguição tinham apostatado, fossem de novo reintegrados no seio
da comunidade cristã, mesmo depois de pedirem perdão : não podiam ser perdoados,
dizia o cismático.
Neste período os
cristãos se deviam apresentar ao magistrado e requerer o libellus, isto é, um
certificado que os declarasse cidadãos dignos, precedendo naturalmente a simples
formalidade de jogar alguns grãos de incenso no braseiro diante de um ídolo.
A essa apostasia
obrigatória muitos fugiram com astúcia corrompendo certos funcionários, que,
mediante quantias de dinheiro, lhes concediam tais certificados. Estes cristãos
foram chamados de libelados.
A perseguição
contra os cristãos intensificou-se de novo, e o Papa foi banido do Centumcellae
e enviado para Civitavecchia, onde o santo Papa sofreu muitas penúrias, fadigas
e sofrimentos e aí acabou por morrer.
São Cipriano, Bispo
de Cartago e que tinha uma profunda amizade com o Papa, escreveu-lhe uma carta
congratulatória por ter podido gozar da felicidade de sofrer por Cristo e pela
glória de sua Igreja, já que nenhum só de seus cristãos tinha renegado de sua
fé.
A amizade de São
Cipriano foi o grande apoio do Papa São Cornélio como Supremo Pontífice e como
defensor da Igreja contra o rigorismo de Novaciano, e a estreita associação
entre ambos se reconheceu, após, como muito valiosa.
Os restos mortais de
São Cornélio foram conduzidos à Roma e sepultados no cemitério de São Calisto.
Festejado a 16 de
setembro. |