João
Birndorfer era o penúltimo dos dez filhos de Bartolomeu e Gertrudes,
um casal de alemães católicos de profunda fé, que nasceu na pequena
aldeia de Parzhan, em 1818, na Baixa Baviera.
Iniciou
sua vida de oração, humildade e caridade quando ainda era menino e
chamava a atenção pelos longos momentos em que permanecia em
contemplação e penitência. Devemos ressaltar esses "longos
momentos", que eram, na verdade, todo o tempo em que não estava na
escola ou trabalhando com os pais nas propriedades rurais que a
família possuía no vale do Rott, em Passavia.
João
tinha quatorze anos quando perdeu a mãe. Dois anos depois, ficou
órfão também de pai e resolveu entregar-se de vez à religião. Até os
trinta e um anos de idade, permaneceu trabalhando com a família nos
campos, mas, sentindo-se chamado à vida religiosa, entrou para o
mosteiro-santuário dos capuchinhos de Santa Ana em Altoetting, onde
vestiu o hábito de monge e assumiu o nome de Conrado, depois de
dividir toda a sua fortuna com os pobres. Os anos que restaram de
sua vida foram vividos trabalhando na mais completa humildade como
porteiro daquele mosteiro-santuário.
Foram quarenta e três anos de dedicação ao próximo, principalmente
quando se tratava de desamparados, mendigos, doentes, viúvas,
crianças órfãs etc. Devoto de Maria e da eucaristia, era dotado de
muitos dons, dentre os quais o que mais se destacava era o da
profecia. O mosteiro de Santa Ana recebia, anualmente, milhares de
romeiros que procuravam o santuário ali existente e todos voltavam
para suas terras louvando o conforto espiritual e a ajuda material
que recebiam de Conrado.
Ele,
no seu ministério de evangelização quase silencioso, provocou um
despertar de fé na região, cooperando com a obra benéfica em favor
da infância abandonada e perigosa, conhecida na época com o nome de
Liebeswerk, ganhando em vida a fama de santidade.
Morreu em 1894, após longos anos de jejum e penitências numa vida, à
primeira vista, rude, mas que era pautada na simplicidade cristã,
paciente e operosa, voltada para o amor ao próximo na figura de
Jesus Crucificado, da Virgem Santíssima e da santa eucaristia.
Aprovados os milagres atribuídos à sua intercessão, depois de sua
morte, o papa Pio XI beatificou-o em 1930 e, depois de uma rapidez
insólita no processo de canonização, em 1934 ele próprio o inscreveu
no livro dos santos. A festa litúrgica de são Conrado acontece no
dia 21 de abril, dia de sua morte. |