No Congresso
Eucarístico Nacional de Braga, em 1924, estiveram presentes várias pessoas que
são hoje
candidatas
à beatificação – e uma que já é beata, a Alexandrina. Os outros de que tenho
conhecimento são: Fr. Bernardo de Vasconcelos (beneditino), o Pe. Abílio
Correia, o Arcebispo de Évora, D. Manuel Mendes.
A Arquidiocese de
Braga publicou depois um livro volumoso onde se contêm muitas das alocuções
então apresentadas e também diversas fotografias.
Da Beata de
Balasar, sabe-se que foi lá com muito esforço; a tal ponto que no ano a seguir
acamou definitivamente. Mas desta memorável jornada de fé e de luta, ela não fez
menção na Autobiografia.
Na carta ao Pe. Pinho de 7-2-1935,
contudo, usa a multidão que viu no Congresso – lá para 400.000 pessoas - como
termo de comparação para uma visão infernal que teve:
Na noite de 17 para 18, quando todos
dormiam, estava eu a contas com minhas orações, figurou-se-me quase um caminho e
por um lado uma barreira feia. A muita distância vi como que um portal. À
entrada um vulto preto de cada lado, e ouvi dizer assim: isto é tudo meu.
Passados momentos, vi, a par da minha
cama, um abismo tão fundo e tamanho. Ai, o que eu vi lá dentro! Coisas tão
feias! Não era gente o que eu via, não sei explicar o que era. O que sei dizer é
que era uma multidão tamanha, tamanha e tão unida, muito mais unida do que a
gente na missa campal
no Congresso Nacional em Braga.
Para os lados tinha umas covas tão feias! E, oh, que movimento eu lá vi! Do meio
daquilo saíam labaredas, mas não eram como as do nosso lume. Lá, num sítio, via
um montinho duns vultos pretos com umas coisas ao alto, não sei se eram paus se
eram forcados. Para o outro lado, via outras sombras que me deram a impressão do
quadro da morte do pecador: um a puxar para diante e outro a puxar para trás e
saía do meio um rabo tão grande que formava um grande arco. E afigurava-se-me
que atravessavam por cima da minha cama as mesmas sombras pretas. Não podia
rezar e não sabia as horas, mas bem as ouvia bater.
Fr. Bernardo de
Vasconcelos veio encantado deste Congresso, como contou a um amigo:
Vim anteontem de
Braga onde estive ainda oito dias depois de terminado o Congresso Eucarístico
onde eu e o P. Lopes de Melo nos lembrámos muito de si, por muito o desejarmos
lá. Pelos jornais deve ter visto o que foi aquela manifestação de Fé e de Amor a
Jesus-Hóstia.
Todas
as horas ali foram preciosas, mas muito o desejaria ver a si naquela hora
suprema da alocução do Bispo Auxiliar da Guarda, que de tal modo foi ao encontro
da alma dos fiéis que estes lhe interceptaram o seu dizer – mais que eloquente
sobrenatural – dando a impressão dum estranho salmear.
E depois, no
final da alocução, aquela portuguesíssima cerimónia do juramento de fidelidade a
Jesus-Hóstia!... Que maravilha!
Naqueles dias,
eu vi muitos inspirados duma sublime inspiração que encantava e enternecia: – um
deles o Dr. Lino Neto (de quem fiquei a gostar imenso!), outro o Dr. Joaquim
Dinis da Fonseca e outro, esse Bispo Auxiliar da Guarda, que é considerado um
dos mais santos dos nossos Bispos.
Gostaria também
que conhecesse essa figura estranha de asceta que é o Bispo do Algarve! Quantas
vezes ao vê-lo e falar-lhe me lembrei da sua concepção de nobreza. Aquele é que
é o puro sangue-azul...
azul porque é do céu.

Dias inolvidáveis! Por lá trouxe a
sua capa que em breve lhe mando. Os nossos lentes fizeram linda figura. A tese
do Dr. Salazar foi considerada a melhor de todas. O nosso Dr. Cerejeira,
esplêndido – sempre aquela linda figura de místico ... do mesmo
sangue-azul
do céu.

Interessante esta referência a Salazar e
ao Dr. Cerejeira, ambos professores da Universidade de Coimbra, que tanto hão-de
marcar o futuro de Portugal; o Cardeal Cerejeira, esse nutrirá pela Alexandrina
real consideração.
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