2 de
Outubro – Primeiro sábado
― “Estou a
recrear no meu palácio; palácio entesourado com os tesouros divinos. É
riquíssimo o teu coração, que belo adorno para mim, minha filha. Gozo em ti, alegro-me em ti, tu és o
jardim perfumado, tu és o jardim adornado com todas as flores. E eu gozo por ser
Senhor de tudo isto; eu gozo por possuir o aroma de flores tão belas. O mundo
não te conhece, minha amada? Conheço-te eu, conhece-te Jesus. És bela, és bela,
és rica, rica serás na terra e no Céu. Quem
chamar pelo teu nome quando estiveres no Céu, nunca o chamarão em vão. Vais ser
poderosa com o Todo-Poderoso. As palavras do teu Esposo Jesus vão cumprir-se,
vão cumprir-se à letra, à letra, minha amada. Os teus espinhos transformaram-se
em rosas, o teu martírio num paraíso. Tudo, tudo, salvação para os pecadores,
consolação para mim. Brilhou o sol, apareceu a luz. Brilha agora a luz dos
humildes, triunfam e são exaltados. Minha filhinha, minha filhinha, encanto meu.
Diz ao teu Paizinho que o fogo do meu divino Coração se estende sobre ele. A
minha morada divina é a morada dele, é a fornalha onde ele há-de habitar sempre,
sempre na terra e no Céu. Vou
pela humanidade dele dar-lhe o poder de atrair a mim todas as almas, ansiosas
por me possuírem e as que andam arredadas do meu divino Coração. Sou eu, Jesus,
que falo sempre em seus lábios. Quando ele estender a bênção sobre os filhos
meus, sou eu que os abençoo. Dou-lhe todo o poder na terra para ele abrasar os
corações e as almas e converter os pecadores. Que espere tudo de mim, assim como
Eu dele tudo recebo. Diz, minha filha, diz ao teu médico, que à sombra do manto
da minha bendita Mãe e ao calor dos raios do meu divino Coração está o lar dele
por Nós abençoado. Será o jardim cultivado por Nós; Eu e Maria seremos os
jardineiros. Se ele me for fiel, será o lar mais rico de todo o Portugal. Rico
de graças, rico de amor, rico para o Céu. Dou-te tudo o que é meu, meu amor,
para tu tudo dares em meu nome aos que te amam, aos que te rodeiam, aos que te
amparam e protegem. Dou-te
tudo o que é meu para tu tudo dares a toda a humanidade, de quem te nomeio
protectora”.
― Ó meu Jesus, estou
envergonhada. Oh! Como eu me sinto tão pequenina. Eu só merecia o inferno, não
sou digna das vossas graças. Distribuí vós as vossas graças. Tomai as minhas
mãos, manejai com elas; aceitai todo o meu corpo, seja ele o vosso instrumento;
trabalhai, Jesus, não cesseis. As almas perdem-se, o mundo está em perigo.
― “Recebe,
filhinha, as carícias do teu Jesus, da tua Mãezinha; recebe o nosso poder. És
toda nossa, és toda nossa, és filhinha, és esposa do meu Jesus. Recebe dos
nossos ósculos conforto para tudo”.
― Obrigada, obrigada,
Mãezinha! Obrigada, obrigada, Jesus!
31 de
Outubro – Transformação da alma
No dia de
Cristo-Rei, senti-me como se morresse o meu corpo e o meu espírito, e acabasse
por completo a minha existência no mundo. É indiscritível a dor que isto causou.
Mas mais ainda: sentia-me no Purgatório! Que dor, meu Deus, que dor! Há dias
que sentia passar por mim umas labaredas julgando eu que era efeito da sede
ardente que continuamente sentia, mas enganei-me. Essas labaredas continuaram;
não eram as labaredas do fogo da terra. Tinham um brilho encantador. Passavam
por mim horas seguidas, atormentando o meu corpo e todos os seus sentidos.
Atingiam a maior altura e todo o meu ser ficava embebido nelas. Causavam-me
dores indizíveis. Mas, apesar disso, eu sentia necessidade de me mergulhar
nelas, para assim me purificar. Como a borboleta louca pela chama, eu estava
também louca e queria de braços abertos entrar naquele fogo que atormentava mas
não destruía, vivendo só numa ânsia; libertada daqui vou para o meu Jesus. Eu
não sabia o significado de todo este sofrimento. Soube sentir e mais nada. Jesus
veio explicar-mo.
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